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A verdade que nunca ninguém contou sobre internação gratuita para dependentes químicos

A verdade que nunca ninguém contou sobre internação gratuita para dependentes químicos

A internação gratuita é garantida por lei, e pode trazer uma nova esperança para aqueles que desejam ter seus familiares recuperados.

Embora a Clínica Marcelo Parazzi não ofereça a internação gratuita para dependentes químicos, elaboramos e disponibilizamos um material rico e abrangente com informações sobre o assunto. Tenha uma boa leitura!

A dependência química é uma realidade que muitos ignoram ou fingem não ver. No entanto, o número de pessoas que possuem a doença aumenta cada dia mais, e muitas famílias não sabem como lidar com ela. Entenda quais são os motivadores e causas da dependência química.

É comum em famílias de baixa renda, encontrarmos histórias de parentes que fazem o uso por anos, e que estão nas ruas abandonados à própria sorte. A situação se torna corriqueira, pois, leva-se em consideração dois fatores importantes: o desânimo da família para com o indivíduo e a falta de condições financeiras para arcar com uma internação.

Porém, a internação gratuita é garantida por lei, e pode trazer uma nova esperança para aqueles que desejam ter seus entes queridos recuperados.

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Ele é dependente químico, o que fazer?

Antes de propriamente entender como pode ser feita uma internação gratuita, não podemos deixar de falar sobre a família e como ela tem influência sobre o indivíduo. Nota-se que muitos jovens têm feito o uso da droga sem que os pais saibam disso. O que acontece é que muitos destes pais ou não estão prestando atenção nos comportamentos de seus filhos, ou não querem aceitar o problema. Também é comum que esta situação seja invertida, e filhos adultos não reconheçam o problema dos pais.

O fato é que para ajudar um familiar que é dependente químico, a família precisa assumir o problema, e não mascará-lo. Também é comum que famílias que não entendem como de fato agir nesta situação queiram internar a qualquer custo o familiar, e deixá-lo ali, como se fosse problema da instituição.

Ao sair da clínica, o indivíduo, que esteve abstinente, encontra nestes casos, uma família completamente despreparada e, comumente, volta a fazer o uso da substância em pouco tempo. O primeiro passo é reconhecer que seu familiar tem um problema e que você precisa ajudá-lo de alguma maneira.

Entender o que é dependência química, e como é possível ajudar nestes casos é o segundo passo, depois do reconhecimento do problema. E não adianta apenas querer que o dependente químico faça a parte dele, você também deve fazer a sua. Frequentar grupos de apoio que orientem como entender e agir em cada situação, também permite o compartilhamento de experiências.

Mediante isso, é hora de buscar ajuda para o dependente químico.

 

Links Relacionados:

● [e-book] 7 sinais que seu familiar pode ser um dependente químico e estar precisando de ajuda

● 17 mudanças de comportamento que podem indicar que sua filha (ou seu filho) está usando drogas

 

O que a Lei diz sobre a internação gratuita

Há algum tempo o Governo já entende a crise pela qual o país tem passado em relação à dependência química.

Existem casos em que o dependente químico começa a oferecer risco a si mesmo, sua família e para a sociedade. É neste momento que a família deve intervir e fazer o pedido de internação involuntária.

De acordo com a Lei 10216/01 o familiar pode solicitar a internação involuntária desde que o pedido seja feito por escrito e aceito pelo médico psiquiatra.

Nestes casos, segundo a lei, os responsáveis técnicos do estabelecimento têm 72 horas para informar o Ministério Público da comarca sobre a internação e seus motivos, evitando que possa haver a possibilidade de internação por cárcere privado.

A internação compulsória também pode ser uma ação, mas nestes casos, não existe necessidade de autorização familiar, sendo que segundo o artigo 9º da lei 10216/01 a autoridade competente da comarca pode estabelecer a internação, depois de um pedido médico atestando que a pessoa não tem mais condições para cuidar de si mesma.

Vale ressaltar que o pedido de internação involuntária só pode ser feito por parentes com laços consanguíneos, ou seja, pai, mãe, avó, tio. Cônjuges não estão nesta lista.

Pessoas que estão nas ruas, em estado de abandono por seus familiares, também contam com o pedido de internação que pode ser realizado pelo próprio Estado, levando em consideração de que elas são responsabilidade dele.

 

Links Relacionados:

● 9 sinais de que o dependente químico precisa de internação

● O que fazer se o dependente químico se recusa a obter ajuda? 

 

Sobre as internações voluntárias

Também é possível que sejam realizadas internações voluntárias gratuitas, onde o próprio dependente químico pede ajuda. Existem muitas clínicas onde o tratamento é totalmente aberto, e fica a cargo do próprio indivíduo decidir se fica lá ou não.

Pensando nesta possibilidade, governos dos estados oferecem as chamadas vagas sociais em instituições credenciadas que passam por um rigoroso processo de escolha antes de serem selecionadas. A ideia é oferecer apoio de maneiras diferentes para dependentes químicos que procuram pelo tratamento.

A família então, precisa pesquisar sobre a possibilidade de vaga social em instituições perto de seu endereço de residência. Existem ainda, instituições filantrópicas que aceitam dependentes químicos e têm seus próprios meios de sobrevivência.

No entanto, as internações voluntárias também precisam de laudo médico que comprovem a situação do indivíduo e sua incapacidade de conviver em sociedade em detrimento do uso de substâncias químicas.

 

Links Relacionados:

● Tratamento ambulatorial (sem internação) para dependente químico

Tratamento com internação para o dependente químico 

 

O que deve ser observado em uma internação gratuita voluntária e involuntária

É preciso observar a instituição em todos os seus aspectos, para que o dependente químico não seja explorado em razão de sua condição.

O Conselho Nacional de Políticas Sobre Drogas, em sua resolução 01/2015, estabelece que algumas ações devem ser respeitadas dentro das instituições de pessoas jurídicas sem fins lucrativos, de forma a preservar a dignidade do dependente químico em tratamento voluntário, que visem, segundo o artigo 2 º da resolução:

I – adesão e permanência voluntárias, formalizadas por escrito, entendidas como uma etapa transitória para a reinserção sócio familiar e econômica do acolhido;

II – ambiente residencial, de caráter transitório, propício à formação de vínculos, com a convivência entre os pares;

III – programa de acolhimento;

IV - oferta de atividades previstas no programa de acolhimento da entidade, conforme previsão contida no art. 12 desta Resolução;

V – promoção do desenvolvimento pessoal, focado no acolhimento de pessoas em situação de vulnerabilidade com problemas associados ao abuso ou dependência de substância psicoativa.

Também se observa na presente resolução que somente deverão ser acolhidas pessoas que realmente façam o uso nocivo das drogas, e precisam de apoio e proteção social.

Além disso, os acolhidos não podem ser submetidos a atividades com fins lucrativos para a instituição como venda de produtos na rua, por exemplo.

As atividades que são permitidas dentro de uma instituição são aquelas que visem o autocuidado e sociabilidade, como por exemplo:

  • Higiene pessoal

  • Arrumação e limpeza dos pertences

  • Participação na elaboração de refeições e limpeza da cozinha

  • Participação na organização e limpeza dos espaços coletivos

  • Participação na programação e eventos da comunidade

O indivíduo que esteja acolhido em caráter voluntário tem o direito de desistir do tratamento a qualquer momento.

Já os indivíduos internados em caráter involuntário só poderão sair quando receberem alta médica da instituição.

No entanto, em ambos os casos, a instituição deve dar informações sobre o acolhido, esclarecendo todas as suas dúvidas.

Nenhum acolhido pode passar por situação vexatória e constrangedora, bem como, sofrer agressões físicas e psicológicas em decorrência do seu tratamento.

A participação da família

Independentemente do tipo de internação, seja ela compulsória ou voluntária, é de suma importância a participação da família.

Quando entendemos a dependência química em todos os seus aspectos, entendemos também o fenômeno de codependência. Ou seja, não só o dependente químico está doente, mas sua família também está devido às situações que o indivíduo permite que aconteçam com seus familiares.

Geralmente as mães, esposas e filhos são os mais afetados. São pessoas que não dormem à espera do familiar doente, que deixam de comer, vivem atrás de notícias e sofrem com cada passo dele. Estes familiares deixam de lado suas próprias vidas em busca do resgate de seus entes queridos e, muitas vezes, se frustram com isso.

Os familiares acabam se envolvendo tanto com a situação do dependente, que por vezes, se submetem ao pagamento de dívida de traficantes, ou até mesmo, dão dinheiro acreditando que estão ajudando. Por isso, o tratamento da família também é importante. É preciso aprender a conviver com o indivíduo que volta para casa. Impor limites nessa relação abusiva, e mostrar que sim, a família é um apoio, mas que não vai ficar à mercê do indivíduo.

Portanto, os grupos de apoio são muito indicados. Muitas instituições fornecem apoio às famílias que também podem contar com grupos de apoio em sua cidade. Os CAPS também fornecem programas para as famílias. Neste sentido, é possível valer-se de diversas alternativas para tratar com o dependente químico que volta para casa depois de um tratamento.

O ideal é conhecer todos os meios para ajudar o dependente químico a se recuperar e ser reinserido na vida social, retomando o trabalho e as relações.

 

Links Relacionados:

● A codependência e o adoecimento da família

Dependente químico tem direito ao auxílio doença?

 

Quem pode ajudar na busca pela internação gratuita

Quando não se conhece os meios para solicitar uma internação, é possível contar com a ajuda de instituições socioassistenciais para intervirem no caso. Unidades de CAPS, CREAS, CRAS e UBS podem ajudar na busca pela internação gratuita, fornecendo encaminhamentos a quem de fato possa realizar o pedido.

Outra maneira, é pedir orientação diretamente no Ministério Público de sua cidade que saberá como proceder com o pedido. O importante é que você saiba que a internação gratuita é uma realidade e você pode contar com ela para tentar trazer recuperação e uma vida digna para seu familiar.