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Consequências na Educação de Dependentes Químicos

Consequências na Educação de Dependentes Químicos

Estipular limites aos filhos não é tarefa fácil e se torna ainda mais desafiador quando as drogas já estão sendo utilizadas. Saiba quais são as consequências na educação de dependentes químicos.

Vivemos em um cenário social basicamente sem fronteiras, por isso impor limites, dizer não e estabelecer regras são ações importantíssimas para a constituição do indivíduo. Dessa maneira, nossas ações diárias são aprovadas ou desaprovadas acarretando consequências boas ou ruins em nossos filhos.

 

Estipular limites

Por exemplo, se uma criança mexe em algo que não deveria e um adulto ao vê-la, sorri, por consequência, ela continuará mexendo. Afinal o seu comportamento (o de mexer) foi reforçado/permitido pelo sorriso do adulto.

Caso o adulto diga “não pode” e logo retire a criança do local, tudo isso indica que o comportamento da criança foi desaprovado e, portanto, terá menos chances de se repetir. Caso a criança tente novamente, o adulto terá que insistir na proibição, que nada mais é do que a colocação de um limite.

             

Desafio a enfrentar

Já quando adolescentes ou adultos, de ambos os sexos, são usuários de drogas, tabaco e/ou álcool, é natural que muitos pais tenham dificuldades de lidar com esta situação. E, muitas vezes, sem perceberem, os pais podem manter e até mesmo reforçar o problema, ao invés de tentar solucioná-lo. Estipular limites aos filhos não é tarefa fácil e se torna ainda mais desafiador quando as drogas já estão sendo utilizadas.

Por isso, aos pais que não educaram com limites os seus filhos desde crianças, ainda há o que ser feito a partir de agora. O desafio será maior, mas precisa ser enfrentado. E a idade não é um fator limitador para a aplicação de regras, ou seja, mesmos filhos com trinta anos ou mais, que não tenham ainda se emancipado de suas famílias, também requerem limites.

 

Agravamento do caso

Em contramão a isso, muitos pais acreditam que se não permitirem aos filhos tudo o que eles desejam, o quadro piorará e ele cometerá delitos a partir disso.

Independente disso, um dependente químico, com poucos limites ao longo de sua constituição como pessoa, já corre sérios riscos de ir por este caminho. Em outras palavras, se nada for feito, será provavelmente uma questão de tempo para que os filhos cometam delitos. Além disso, o quadro pode se avançar de tal forma, que suas chances de recuperação já diminuiriam consideravelmente.

 

Disciplina e persistência

A boa notícia é que se a família enfrentar o problema e entender que não só os filhos necessitam de mudanças, como eles também, verdadeiras chances de melhora efetiva para todos da família começarão a nascer. Para tanto, os pais também terão que ter direção, disciplina e persistência.

Vale ressaltar que a persistência é fundamental na conquista de resultados positivos diante de situações tão desafiadoras como a dependência química. Para que os pais lidem com suas dúvidas, angústias, medos e vontades de desistência, é essencial a família contar com um apoio profissional. Uma vez que o trabalho profissional elabora junto com a família um planejamento de ações que irão gradativamente das mais fáceis às mais difíceis.

 

Apoio profissional

Para começar, vamos passar algumas dicas de ações iniciais para o caso de um filho usuário de drogas, álcool e/ou cigarro. É muito comum esses filhos não auxiliarem nas atividades rotineiras da casa e nem financeiramente. Portanto, o primeiro passo é os pais exigirem que eles colaborem com o dia a dia doméstico, pois, além de ser justo para com todos da família, constrói indivíduos responsáveis e colaborativos.

Pode-se fazer uma reunião familiar, a partir da qual os pais apontarão os problemas existentes e dirão com autoridade que querem a colaboração dos filhos. E que o não cumprimento das regras trará consequências e perdas desagradáveis para os filhos. Neste momento sugerimos que as regras sejam anotadas, lidas e assinadas por todos para não dar espaço para desculpas.

 

Definição de rotinas

A começar com estabelecer horários rotineiramente definidos, pois assim funcionamos melhor fisiológica e psicologicamente. Sendo assim, os pais devem estipular regras, por exemplo, horários de despertar e de dormir, de assistir à televisão e de acesso à internet e do celular.

Além de exigir outras tarefas como arrumar a cama após o despertar e organizar suas próprias roupas. Destacamos que os pais deverão instruir e muitas vezes realizar junto com os filhos as primeiras vezes das tarefas estabelecidas, para que eles minimamente aprendam e, ao longo do tempo, possam aprimorar.

 

Consequências positivas e negativas

Os exemplos de regras, de consequências positivas e negativas podem ser inúmeros e os pais devem explorar sua imaginação, pesquisar para realizar quadros bons e bem definidos. Uma consequência positiva para quem arrumar o quarto, durante toda a semana, poderá ser um evento agradável para a família no fim de semana.

É importante destacar que nessas situações não podemos nos esquecer de elogiar, pois o elogio já é uma consequência positiva importante. No entanto, caso não cumpram o combinado, de uma única tarefa, a consequência pode ser permanecer em casa no fim de semana, nem que para isso os pais tenham que ficar também. Só para citar mais um exemplo, para jovens que adoram vídeo game ou celular, a consequência de não arrumar seu quarto, um dia que seja, seria um dia sem poder usar o celular e dois sem o vídeo game.

 

Diálogo é fundamental

Por fim, é preciso haver diálogo, compreensão, postura tranquila dos pais e colocação clara das regras e de suas consequências. Entretanto, os pais jamais devem se expressar de forma agressiva ou irônica para lidar com essas mudanças.

É importante frisar que muitos pais falham por não darem a energia necessária a estes importantes exercícios, por se esquecerem do combinado, “fazerem vistas grossas” para não se estressarem ou mesmo por dó. Faz-se necessário elucidar que “ter dó” é semelhante a desacreditar na capacidade de desenvolvimento e melhora dos filhos, principalmente, quando não os permite aprender a lidar com dificuldades e desafios da vida.

 

Na próxima publicação falaremos sobre as diferenças entre usuários, abusadores e dependentes químicos de substâncias psicoativas e, inclusive, sobre os graus de dependência.