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Vício em games é considerado transtorno de saúde mental

Vício em games é considerado transtorno de saúde mental

A Nova Classificação Estatística Internacional de Doenças se conecta mais ao momento atual de saúde mundial.

A partir deste ano (2022), passa a valer a Nova Classificação Estatística Internacional de Doenças, a CID-11. 

O objetivo dessa nova classificação é fazer uma atualização que permita identificar e classificar mais adequadamente algumas doenças e distúrbios que a antiga CID-10 – elaborada na década de 90 - não contemplava.

A nova versão se aproxima e conecta mais ao momento atual de saúde mundial, reorganizando a classificação de algumas doenças e simplificando o diagnóstico de outras, como o autismo, por exemplo. Além disso, contempla também novas demandas de saúde, como o vício em games, que passou a ser considerado um transtorno de saúde mental, por se tratar de um padrão de comportamento persistente e recorrente, que pode interferir diretamente na qualidade de vida social e profissional do indivíduo.

 

Objetivo da classificação do vício em games

Com a nova classificação, a “gaming disorder” – mais conhecida como o vício em jogos eletrônicos – a Organização Mundial da Saúde (OMS) objetiva manter um padrão universal que favoreça o monitoramento de incidência e prevalência dessas doenças, facilite o diagnóstico real de riscos, além de possibilitar a oferta de tratamento adequado a esse tipo de problema, cada vez mais recorrente nos últimos anos.

Segundo as últimas análises, observa-se um aumento exponencial nos comportamentos ligados à dependência de jogos eletrônicos, tais como a perda do controle do tempo e da frequência das sessões, bem como a atitude de priorizar os jogos, em detrimento de quaisquer outras atividades, sejam elas de cunho educacional, social, familiar ou mesmo profissional.

 

Por que o vício em games é considerado uma dependência

Pesquisas recentes permitem concluir que, embora não seja uma dependência química (como ocorre com o alcoolismo ou outras drogas), o vício em games afeta o indivíduo de forma quase idêntica.

Nota-se nos viciados em jogos eletrônicos a mesma incidência da chamada tolerância, caracterizada pela compulsividade, uma necessidade constante de ter cada vez mais acesso ao que proporciona prazer, neste caso os games. 

Contudo, além da obstinação por permanecer jogando por cada vez mais tempo, a dependência de jogos também se assemelha à dependência química por conta da abstinência. Assim como ocorre com usuários de drogas, os viciados em games também podem apresentar sintomas como ansiedade, insônia, irritabilidade e até tremores, simplesmente por ficarem afastados dos jogos.

 

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Necessidade de estímulos para obtenção de satisfação

A doença, de certa forma, pode até ser novidade, mas a explicação já é domínio público: graças à liberação de dopamina, o cérebro se programa para viver em função do prazer, e sente a necessidade de estímulos cada vez maiores para sentir o mesmo nível de satisfação. Desta forma, quem já possui alguma predisposição, acaba desenvolvendo a dependência.

 

Perfil predominante

Para o momento, o que se sabe é que esses transtornos predominam em pessoas do sexo masculino (cerca de 94% dos viciados em games são homens), seja pelo número ainda relativamente menor de mulheres ligadas ao mundo dos games, seja por fatores como a impulsividade e a busca constante de sensações, traços de personalidades mais característicos dos homens que, via de regra, já possuem um menor controle de impulsos e uma facilidade maior de cederem ao desejo e às sensações de recompensa que a liberação de dopamina gera.

 

Como diferenciar o hobby do vício

Os dados são alarmantes: em 2017, o número de pessoas que faziam uso frequente de jogos eletrônicos passava de 2 bilhões, sendo que 205 milhões eram oriundos da América Latina. Contudo, apesar de assustadores, esses números também revelaram que apenas 3% dos jogadores apresentavam comportamentos classificados como vício.

Felizmente, há maneiras de diferenciar com um pouco mais de clareza quando o jogo é apenas um hobby, uma atividade saudável, de quando ele se torna realmente um problema.

Segundo os especialistas, o comportamento de alguém que sofre de dependência é marcado por uma fase em que o indivíduo deixa de lado tanto aspectos básicos (como a alimentação, o hábito de dormir ou tomar banho etc) quanto outros pontos importantes de sua vida, como a convivência familiar e as interações sociais (com amigos e por vezes até mesmo com o cônjuge), ou ainda apresenta queda drástica no rendimento escolar ou profissional.

Não existe fórmula mágica ou pronta, tampouco um jeito fácil de identificar um viciado em games. A forma mais eficiente, entretanto, é comparar os comportamentos da pessoa antes e depois de desenvolver o hábito de jogar. Se, ao observar esses comportamentos, ficar constatado que houve um aumento de atitudes como isolamento, irritabilidade ou agressividade, pode ser um sinal de alerta de que se precisa procurar ajuda profissional.



Como tratar o vício em games

Independentemente da causa, recomenda-se procurar um profissional de saúde mental sempre que notar um comportamento que possa ser classificado como vício.

Quando devidamente diagnosticado, o vício em games será tratado conforme os pilares que podem envolver psicoterapia, acompanhamento psiquiátrico e grupos de apoio.

 

Terapia

A Terapia Cognitivo-Comportamental (TCC) visa ajudar na identificação de possíveis gatilhos que desencadeiam o vício, bem como a origem desses comportamentos. A ideia é minimizar as chances de recaída, fazendo com que o indivíduo consiga evitar ao máximo a exposição a momentos, lugares ou pessoas que lembrem a atividade da qual ele é dependente (no caso, os jogos).

 

Acompanhamento psiquiátrico

O acompanhamento psiquiátrico é uma outra dimensão do tratamento, que prevê a administração de medicamentos com o intuito de controlar a agressividade, a impulsividade, e mesmo os sintomas causados pela abstinência. Mais que evitar recaídas, o objetivo dessa parte do tratamento é tornar mais suportável o período de afastamento dos jogos.

 

Grupos de apoio

Uma possibilidade adicional são os grupos de apoio – similares aos de alcoólicos anônimos – que propiciam atendimento tanto aos dependentes quanto a seus familiares, que também costumam sofrer boa parte das consequências de ter um viciado em games na convivência cotidiana.

Mantendo a comparação com o alcoolismo, assim como o alcoólatra deve evitar o primeiro gole, desde o momento em que iniciar o tratamento, o viciado em games também deve evitar o contato com quaisquer jogos, pois, por se tratar de uma dependência comportamental, continuará predisposto a recaídas.

As estratégias podem ser variadas de acordo com o grau de dependência do indivíduo, ou seja, em alguns casos pode-se planejar a diminuição do tempo que se passa no jogo ou até mesmo a mudança de jogo. Em outros casos a abstinência total inicial por alguns meses pode ser o mais adequado, para que posteriormente tenhamos uma reaproximação gradativa e regrada, para uma relação saudável ou o menos prejudicial possível ao jogador. 

 É importante ressaltar que qualquer dependência – psicológica, química ou comportamental – é considerada uma doença crônica e, como tal, não tem cura, podendo se manifestar novamente ao mínimo descuido.

 

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Clínica Marcelo Parazzi

Se você ou algum familiar tem sofrido com vício em games, nossa clínica pode ajudar.

Além de se fundamentar na Terapia Cognitivo-Comportamental (TCC) e oferecer todo o tratamento tradicional por meio de psiquiatras, psicólogos e psicanalistas para tratar compulsão por jogos, ansiedade, depressão e outros transtornos, a Clínica Marcelo Parazzi também dispõe de Terapia Holística, que desenvolve estratégias terapêuticas como Reiki, Yoga, Meditação, Constelação Familiar e Mindfulness (Consciência plena), para auxiliar no alcance de melhores resultados nos tratamentos dos pacientes, que são, comprovadamente, grandes aliados na recuperação desses indivíduos.

Estamos à disposição para auxiliar com a Terapia à Distância, realizando atendimento via Skype, inclusive para pessoas que residem fora do país.

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