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Dependência de Internet

Dependência de Internet

Algo deve e pode ser feito

Desde meados dos anos noventa do século XX, alguns autores iniciaram suas pesquisas sobre o assunto e também suas preocupações acerca de possíveis aspectos negativos relacionados ao uso excessivo da tecnologia, em específico a internet e a possibilidade de desenvolver a dependência de internet.

Descobriu-se então, sobretudo a partir de Kimberly S.Young em 1996, que um indivíduo poderia desenvolver dependência da rede mundial com graves consequências para sua vida.

Iniciou-se também com Young o desenvolvimento dos critérios diagnósticos para tal dependência, ou seja, sempre que falamos em dependência de algo, o profissional habilitado necessita de parâmetros para determinar se um indivíduo possui ou não dependência, neste caso, digital.

Atualmente, os critérios são, segundo Shapira e colaboradores: 1. Preocupação mal adaptativa com o uso de internet, conforme indicado por pelo menos um dos seguintes itens:

- Preocupação com o uso da internet experienciadas como incontroláveis e irresistíveis.

- O uso da internet é marcado por períodos maiores do que os planejados.

2. O uso da internet e a preocupação com o uso causando prejuízos significativos ou danos nos aspectos sociais, ocupacionais ou outras áreas importantes do funcionamento. 3. O uso excessivo da internet não ocorre exclusivamente durante os períodos de hipomania ou mania e não é mais bem explicado por outro transtorno do Eixo I.

É importante salientar, que apenas um profissional qualificado da área da saúde poderá decodificar o que expõe os critérios supracitados. Mas deixaremos a seguir uma explicação sobre eles. No primeiro item, devemos observar se o indivíduo apresenta dificuldades em se controlar e resistir ao acesso, por exemplo, diante de recomendações de seus familiares. Nesses casos também podemos observar uma pessoa que diz para si mesma que ficará apenas trinta minutos nas redes sociais e quando percebe, já ficou algumas horas.

No segundo item podemos observar pessoas que abandonam momentos com a família em detrimento da internet, muitas vezes apresentando algum isolamento. Ainda neste item, pode ocorrer a queda de rendimento no trabalho ou nos estudos por conta de tal dependência.

O terceiro item é mais clínico e específico, mas alerta sobretudo os profissionais sobre a possibilidade de tais sintomas estarem ligados à outras psicopatologias, ou seja, quadros psicológicos negativos.

Quanto ao terceiro item é interessante trazer à tona a informação de que algumas psicopatologias podem favorecer o mau uso da internet e dentre elas destacam-se: A depressão, os transtornos de humor, como o Transtorno Afetivo Bipolar, transtornos de ansiedade e Transtorno de Déficit de Atenção e Hiperatividade.

Para tanto, é importante que o indivíduo que já percebe prejuízos em sua vida que podem estar relacionados com seu uso alterado de internet, ou mesmo um familiar, procure um profissional para discutir o tema. Os profissionais que poderão ajudar podem ser, por exemplo, um psicólogo ou um psiquiatra.

Se constatada a dependência, um tratamento deverá ser iniciado para tal dependência e se houver a presença de uma comorbidade psiquiátrica, esta deverá também ser tratada. Recomenda-se nesses casos que o programa de tratamento abarque a família, pois esta necessita ser orientada para auxiliar na recuperação e nos bons resultados do tratamento.

Uma abordagem que tem oferecido bons resultados no tratamento da dependência de internet, é a terapia cognitivo comportamental. Pois é a partir da reestruturação cognitiva, ou seja, modificação de regras, crenças e pensamentos dos indivíduos e também de modificações comportamentais, que ela pode oferecer uma nova possibilidade de relação entre a pessoa e a internet.

Vale destacar que diferentemente do tratamento de outras dependências, no caso da internet, a proposta não é solicitar que o indivíduo deixe de se relacionar ou mesmo utilizar a rede, justamente por compreender os benefícios que ela pode oferecer. Sendo assim, podemos falar de uma reeducação em sua utilização, mas que também abrangerá uma reeducação do ser no mundo de tal sujeito.

A partir daí, poderemos oferecer ao paciente a concomitante melhoria em outras áreas da sua vida e em última instância, a melhoria em sua qualidade de vida geral.

Um fenômeno interessante que se observa na clínica psicológica, é que ao buscar uma melhoria para determinada questão, o indivíduo e seus familiares poderão alcançar progressos para além apenas de questões relacionadas à dependência de internet. Ou seja, a partir do momento em que um problema como esse aparece, ele pode ser a oportunidade de uma família promover diversas mudanças que já eram necessárias mesmo antes do surgimento desta dependência.

 

Bibliografia:

http://www.scielo.br/pdf/rbp/v30n2/a14v30n2

Young, K.S.; Abreu, C. N. de; Et all. Dependência de Internet. manual e guia de avaliação e tratamento. Artmed, Porto Alegre. 2011.