Detalhes e comportamentos que fazem a diferença no modo como se enxerga o mundo.
O tratamento para dependentes químicos é um elemento de grande importância para a recuperação do indivíduo. No entanto, são comuns recaídas após tratamento para dependência química.
Estudos mostram que entre 40% e 60% das pessoas em recuperação podem enfrentar algum episódio de recaída, especialmente nos primeiros meses após o tratamento. Isso não significa que o tratamento falhou, mas sim que a pessoa precisa de suporte contínuo, acompanhamento e ajustes em sua estratégia de recuperação.
Para evitar que elas aconteçam, é importante ater-se a alguns detalhes e comportamentos que farão a diferença no modo como se enxerga o mundo e se passa a lidar com ele.
Por que acontecem as recaídas após tratamento para dependência química?
Muitas pessoas acreditam que uma recaída significa fracasso no tratamento, mas isso não é verdade. A dependência química é considerada uma doença crônica e, assim como acontece com outras doenças, como hipertensão e diabetes, pode haver períodos de melhora e piora.
O mais importante é reconhecer rapidamente os sinais de risco e buscar ajuda antes que o problema se agrave.
Quando o organismo para de receber as substâncias das quais ele é dependente, ele começa a desencadear sintomas que refletem a sua falta. Leia também Motivadores e causas da dependência química.
Sudorese, taquicardia, tremores, depressão, ansiedade, insônia, pensamentos obsessivos, entre outros comportamentos, fazem parte do que chamamos de estado de abstinência.
Por isso, o tratamento para dependência química é indicado, uma vez que ele tende a amenizar esses sintomas.
No entanto, eles podem aparecer após o fim do tratamento, o que, consequentemente, leva a pessoa a ter uma recaída.
Além de afetar a vida da pessoa, a dependência química é uma doença que afeta diversas áreas do organismo e, por isso, alguns comportamentos devem ser adotados em todos os aspectos para que se possa controlá-la.
A dependência química é reconhecida pela Organização Mundial da Saúde como uma doença que envolve fatores comportamentais, cognitivos e fisiológicos. Isso significa que não se trata de falta de força de vontade ou fraqueza, mas de uma condição que precisa de tratamento adequado e acompanhamento contínuo.
Sinais de alerta de uma possível recaída
Antes da recaída acontecer de fato, geralmente existem alguns sinais de alerta. Entre os mais comuns estão:
- isolamento;
- irritação frequente;
- abandono de compromissos;
- perda do interesse pelo tratamento;
- mentiras;
- contato com antigas companhias;
- pensamentos de que ‘agora consigo controlar’;
- excesso de confiança;
- descuido com higiene, alimentação e rotina.
Perceber esses sinais com antecedência pode fazer toda a diferença para evitar o retorno ao uso.
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Passos para evitar recaídas após tratamento para dependência química
Entenda 10 passos simples para evitar recaídas após tratamento para dependência química e manter-se limpo.
Passo 1: Não tente manipular nem se manipule
A manipulação é um dos comportamentos mais comuns em dependentes químicos. Para obter a droga, o indivíduo é capaz de mentir e convencer as pessoas, assim como a si próprio.
Em um tratamento ou até mesmo sem um, é preciso deixar este comportamento. A manipulação é tão perigosa que, aos poucos, o próprio dependente químico se convence de que aquilo é verdade.
Se o indivíduo já está há algum tempo sem fazer o uso das drogas e não deseja ter recaídas após tratamento para dependência química, é de grande importância que evite esse comportamento.
Passo 2: Não minta
As mentiras também são grandes companheiras dos dependentes químicos, mas esse comportamento tende a desaparecer após um tratamento.
No entanto, o indivíduo que está prestes a ter recaídas passa a mentir. Ele mente sobre coisas pequenas, que logo se tornam coisas grandes.
A mentira precede o uso da droga, por isso, ser honesto consigo mesmo é o melhor caminho para não ter recaídas.
Passo 3: Faça acompanhamento psicológico
O tratamento psicológico é muito bem-vindo após o tratamento para dependência química, pois é nele que a pessoa passa a ter conhecimento de suas angústias e dores. É através do tratamento que ela aprende a trabalhar com esses sentimentos.
Deixar de ter apoio psicológico é um grande perigo. A rede pública oferece esse tipo de atendimento que pode ser realizado nos postos de saúde de seu bairro ou na própria unidade do CAPS – Centro de Atenção Psicossocial.
Não importa onde o tratamento será feito, o que importa é que ele seja realizado para que não haja recaídas após o tratamento para dependência química.
Passo 4: Comece a falar
Algumas pessoas tendem a guardar para si seus sentimentos e dúvidas, esse é um comportamento destrutivo que pode causar uma recaída em um dependente químico.
É preciso aprender a dialogar, a falar o que se sente, a expor sua opinião e ser claro. As pessoas não conseguirão adivinhar o que o indivíduo está pensando, e muitas delas não sabem que seus comportamentos podem tê-lo ferido.
A comunicação se torna um elemento de grande importância nesse sentido.
Passo 5: Não seja vítima
Outro comportamento muito comum de dependentes químicos é se sentirem vítimas da própria doença.
E com esse comportamento de autopiedade começam a justificar suas ações. Ter pena de si mesmo não é o melhor caminho para ficar limpo.
O ideal é que o indivíduo reconheça seus erros e aprenda com eles, e não se esconda atrás de sua doença. Esse também é um passo importante para não ter recaídas após tratamento para dependência química.
Passo 6: Frequente grupos de apoio
Os grupos de apoio são a melhor forma de expor dúvidas e pensamentos com pessoas que compartilham do mesmo problema.
Eles se tornam uma ótima estratégia de prevenção de recaídas após tratamento para dependência química.
Não só o dependente químico, mas também sua família devem frequentar grupos de apoio a fim de que fortaleçam-se psicologicamente para enfrentar os desafios da recuperação da dependência química.
Passo 7: Vigie seus pensamentos
Pensamentos repetitivos e pessimistas tendem a acompanhar um dependente químico em sua trajetória. Nesse sentido, vigiar os pensamentos também é uma forma de prevenir recaídas.
É preciso se questionar: “Por que estou pensando nisso?” “Qual o sentido deste pensamento?” “Eu posso estar tentando me manipular?”
O indivíduo deve dominar sua mente para que ela não o domine.
Além de vigiar os pensamentos, também é importante identificar os gatilhos que podem aumentar a vontade de usar drogas ou álcool. Certos lugares, pessoas, músicas, cheiros, discussões, datas comemorativas, dinheiro fácil, estresse, solidão e até excesso de autoconfiança podem funcionar como gatilho.
Aprender a reconhecer esses fatores ajuda o indivíduo a se preparar melhor para situações difíceis e criar estratégias para evitá-las ou enfrentá-las de maneira mais saudável.
Muitos profissionais também utilizam a estratégia HALT, sigla em inglês para Hungry (fome), Angry (raiva), Lonely (solidão) e Tired (cansaço). Esses quatro estados emocionais e físicos costumam aumentar significativamente o risco de recaída. Por isso, cuidar da alimentação, do sono, das emoções e da convivência social também é essencial para manter a recuperação.
Passo 8: Estabeleça um projeto de vida
O indivíduo passou uma grande parte de sua vida sem perspectiva alguma do que fazer, sem sonhos, objetivos ou metas, mas agora isso deve mudar.
É importante fazer planos para um futuro recente e não tão recente, colocar no papel as metas e descobrir como alcançá-las. Não se deve desanimar, aos poucos, as coisas irão acontecer.
Um adicto deve estabelecer um plano para que possa evitar recaídas após tratamento para dependência química.
Passo 9: Caso tenha um lapso, peça ajuda para que ele não se torne uma recaída
Lapso consiste no uso da droga ou do álcool após um período de abstinência, mas que não é considerado uma recaída caso o indivíduo não volte a fazer o uso frequente da droga.
É fundamental evitar que o lapso aconteça, porém, caso ele ocorra, é importante procurar ajuda médica e orientação para que ele não se transforme em recaídas após o tratamento.
Passo 10: Estabeleça uma rotina, mas tenha momentos de lazer
É preciso que a pessoa readeque sua vida adotando costumes saudáveis que tendem a levá-lo a um padrão melhor de qualidade de vida.
Isso quer dizer trabalhar, estudar e cumprir obrigações como toda pessoa, no entanto, deve também ter momentos de lazer, momentos realizando atividades de que gosta.
É importante estar perto das pessoas que ama, evitar conflitos e discussões e ser paciente consigo próprio e com as pessoas que estão ao redor.
E não deixar de se cuidar. A prevenção de recaídas após tratamento para dependência química deve ser feita todos os dias e acompanhada por profissionais especializados, como psicólogos, psiquiatras e terapeutas ocupacionais. Cada pessoa possui uma história, gatilhos e necessidades diferentes, por isso o plano de recuperação deve ser individualizado.
Perguntas frequentes sobre recaídas após tratamento para dependência química
Quanto tempo dura o risco de recaída?
O risco de recaída pode existir por meses ou até anos após o tratamento. Por isso, é importante manter acompanhamento psicológico, rotina saudável e apoio contínuo.
Um lapso significa que perdi todo meu progresso?
Não. Um lapso é um episódio isolado de uso e não significa que todo o tratamento foi perdido. O importante é buscar ajuda rapidamente para evitar que ele se transforme em recaída.
Quais são os principais gatilhos da recaída?
Os gatilhos mais comuns são estresse, ansiedade, solidão, contato com antigas companhias, conflitos familiares, lugares associados ao uso e excesso de confiança.
A família pode ajudar a evitar recaídas?
Sim. O apoio da família é muito importante durante a recuperação. Escuta, acolhimento, incentivo ao tratamento e participação em grupos de apoio podem fazer a diferença.
Quando procurar ajuda novamente?
A ajuda deve ser procurada ao perceber sinais como isolamento, mentiras, vontade intensa de usar, abandono do tratamento ou contato com pessoas ligadas ao uso de drogas ou álcool.
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*Conteúdo atualizado em junho de 2026.
