No Setembro Amarelo, entenda como identificar sinais de alerta, desmistificar crenças sobre o suicídio e conhecer formas de prevenção, acolhimento e apoio profissional.
É cada vez mais alarmante o número de pessoas que atentam contra a própria vida. Segundo a Organização Mundial da Saúde (OMS), mais de 720 mil pessoas morrem por suicídio todos os anos em todo o mundo. A entidade também destaca que muitos desses casos podem ser prevenidos quando há identificação precoce dos sinais de sofrimento emocional, acesso ao tratamento adequado e apoio da família, da comunidade e dos serviços de saúde.
Diferentemente de um jogo, onde se pode reiniciar com uma ou até várias vidas, seria impossível trazer de volta as incontáveis pessoas que acabaram se transformando nessas tristes estatísticas.
No entanto, ainda é possível evitar que novas vidas se percam, pois, na maior parte das vezes, o suicídio pode ser evitado, e por atitudes muito mais simples do que se imagina.
Em 2015, o suicídio foi considerado a segunda maior causa de morte de jovens entre 15 e 29 anos. Desde então, é realizada uma campanha mundial, intitulada “Setembro Amarelo”. Ela tem por objetivo a informação e prevenção ao suicídio.
Por que setembro?
Em setembro de 1994, o americano Mike Emme – um jovem de apenas 17 anos – cometeu suicídio. Em seu funeral, sem saber, seus amigos e familiares iniciaram um movimento de prevenção ao suicídio que, poucos dias mais tarde, já tomaria proporções inimagináveis.
Posteriormente, no ano de 2003, a Organização Mundial de Saúde, já alarmada com os dados crescentes de suicídio entre jovens, mundo afora, instituiu o dia 10 de setembro como Dia Mundial de Prevenção ao Suicídio.
No Brasil, a partir de 2015, com o objetivo de reduzir essas estatísticas e inspirado pelo movimento de 1994, o mês foi escolhido para a realização da campanha de prevenção, conhecida hoje como “Setembro Amarelo”.
E por que amarelo?
Mike Emme era descrito por todos como um rapaz carinhoso e que ajudava a todos que podia. Com seu talento excepcional para a mecânica, reformou completamente aquele que seria seu primeiro carro, um Mustang 1968, e pintou-o de amarelo brilhante.
O carro chamava tanto a atenção que foi apelidado de “Mustang Mike”, e mais tarde acabou se tornando o cenário do suicídio de seu proprietário. Por isso, o amarelo foi a cor escolhida para homenagear Mike em seu funeral.
Na ocasião, foram distribuídos cartões com fitas amarelas, como uma forma de passar a mensagem às pessoas de que não há problema em pedir ajuda. Esse movimento ficou conhecido como “Yellow Ribbon” – em tradução literal do inglês, “fita amarela”.
Atualmente, a tradição da campanha ganhou o mundo com diferentes nomes, mas o objetivo permanece o mesmo: promover a informação, identificação e prevenção ao suicídio, fazendo com que as pessoas que precisam de ajuda e não se sentem à vontade para pedi-la, saibam que não estão sozinhas nessa luta.
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Situações que podem aumentar a probabilidade da ocorrência
Do momento em que acabar com a própria vida é “apenas uma ideia” até a consumação, alguns fatores podem contribuir para aumentar as chances de alguém cometer suicídio.
Embora não se possa – nem deva – generalizar, a presença de doenças mentais como depressão, transtornos de personalidade (ou mesmo mentais, associados ao uso de álcool e outras substâncias), aspectos sociais como a solidão, perda de entes queridos, conflitos de identidade de gênero, ou ainda histórico de abusos sexuais na infância podem culminar em estados psicológicos propícios às tendências suicidas.
Independentemente da causa, o mais importante é levar a sério os sinais cotidianos que a pessoa dá, que normalmente são encarados como “frescuras”, ou tentativa de chamar a atenção para si. Trata-se abertamente de um pedido de socorro que não deve, em hipótese alguma, ser ignorado.
Condições que auxiliam positivamente
Algumas atitudes, no entanto, não só auxiliam momentaneamente, como podem ter efeito preventivo, evitando que alguém tire a própria vida.
Estar aberto ao diálogo é a primeira delas. Muitas vezes, as pessoas só querem ser ouvidas, poder falar sobre seus sentimentos, inseguranças, sobre as saídas que não enxergam e as dificuldades que enfrentam. O diálogo de coração aberto, um simples conselho acolhedor, saber que não está só, nem precisa estar.
Muitas pessoas ainda acreditam que conversar sobre suicídio pode incentivar alguém a tirar a própria vida. No entanto, especialistas da Organização Mundial da Saúde, da Associação Brasileira de Psiquiatria (ABP) e do Centro de Valorização da Vida (CVV) afirmam justamente o contrário: perguntar com respeito, ouvir sem julgamentos e acolher o sofrimento pode representar o primeiro passo para que a pessoa aceite procurar ajuda.
Isso tudo aumenta a autoestima, fortalece a fé, favorece as relações sociais, eliminando o isolamento e salvando muitas vidas, além de encorajar outras a buscarem ajuda profissional, quando necessário.
Fontes como o Boletim Epidemiológico do Ministério da Saúde, a Organização Pan-Americana da Saúde (OPAS) e o próprio CVV recomendam ações comunitárias e institucionais que envolvam escolas, empresas, familiares e profissionais de saúde para ampliar o alcance das medidas preventivas.
É importante lembrar que, apesar do acolhimento social ser essencial, somente profissionais qualificados podem diagnosticar e tratar transtornos mentais. Psicólogos, psiquiatras e terapeutas ocupam papel fundamental no enfrentamento das causas mais profundas da ideação suicida.
A combinação entre apoio emocional e tratamento clínico supervisionado é comprovadamente eficaz na prevenção ao suicídio.
O que ajuda a reduzir o risco de suicídio
Além do tratamento especializado, diversos fatores funcionam como elementos de proteção. Ter uma rede de apoio, manter vínculos familiares e sociais, praticar atividades físicas, cultivar hábitos saudáveis, participar da comunidade e contar com acesso aos serviços de saúde mental contribuem para reduzir o risco de agravamento do sofrimento psicológico.
O suicídio pode ser prevenido?
Sim. Segundo a Organização Mundial da Saúde, a maior parte das mortes por suicídio pode ser evitada por meio da união entre políticas públicas, acesso ao tratamento em saúde mental, identificação precoce dos fatores de risco e fortalecimento das redes de apoio. Quanto mais cedo a pessoa recebe acolhimento e acompanhamento profissional, maiores são as chances de recuperação.
No Brasil, o Ministério da Saúde observa crescimento das notificações relacionadas ao comportamento suicida, especialmente entre adolescentes e adultos jovens. Esse cenário reforça a importância de campanhas de conscientização como o Setembro Amarelo e do acesso facilitado aos serviços de saúde mental.
Nem sempre quem pensa em suicídio quer morrer
Em muitos casos, a pessoa não deseja exatamente colocar fim à própria vida, mas interromper um sofrimento que acredita não conseguir suportar. Essa percepção ajuda familiares e amigos a compreenderem que frases como “é falta de força de vontade” ou “isso vai passar” tendem a aumentar o isolamento. O acolhimento e o encaminhamento para ajuda profissional costumam produzir resultados muito mais positivos.
A Associação Brasileira de Psiquiatria ressalta que o suicídio raramente está relacionado a um único fator. Na maioria dos casos, diferentes aspectos biológicos, psicológicos, sociais e ambientais interagem entre si. Por isso, compreender o contexto de cada pessoa é essencial para oferecer o tratamento mais adequado.
Atenção aos principais sinais de alerta
Embora cada pessoa manifeste o sofrimento de maneira diferente, alguns comportamentos merecem atenção especial:
- isolamento repentino;
- mudanças bruscas de humor;
- perda do interesse pelas atividades habituais;
- comentários frequentes sobre morte ou desesperança;
- sensação de ser um peso para outras pessoas;
- despedidas incomuns;
- organização de assuntos pessoais como se estivesse encerrando um ciclo;
- aumento do consumo de álcool ou outras drogas.
A presença desses sinais não significa, necessariamente, que alguém cometerá suicídio, mas indica a importância de oferecer apoio e incentivar a busca por ajuda especializada.
Setembro Amarelo: verdades e mitos
Dedicar um mês inteiro à identificação e prevenção de casos de suicídio tem levantado algumas questões relevantes, sobre as quais ainda pairam muitas dúvidas.
Mas como diferenciar algumas crenças fantasiosas em torno do suicídio, daquilo que realmente procede? Seguem algumas dicas para ajudar a identificar verdades e mitos a esse respeito:
Verdades
- O suicídio pode ser evitado;
- Pessoas com tendências suicidas comentam antes com amigos e familiares sobre suas intenções;
- Falar abertamente sobre o assunto ajuda;
- A maior parte dos casos de isolamento social é por vergonha de se expor;
- A presença de doenças e transtornos mentais e psicológicos aumenta as chances de suicídio;
- Suicidas em potencial preferem o isolamento, e podem já ter cogitado várias vezes a hipótese de tirar a própria vida;
- O risco de suicídio pode aumentar após uma hospitalização (por uma primeira tentativa frustrada).
- Você pode ajudar.
Mitos
- O suicídio ocorre de repente e sem sinais anteriores;
- Falar sobre suicídio induz ao ato;
- Tendências suicidas são hereditárias;
- Uma vez que tenha tentado suicídio, a pessoa tentará indefinidamente até conseguir consumá-lo;
- Pessoas com tendências suicidas só querem chamar a atenção;
- Pensar em suicídio é resultado de um fator isolado;
- Nunca vai acontecer comigo, nem com meus amigos.
A campanha Setembro Amarelo tem ajudado milhares de jovens, mundo afora, nos últimos 30 anos. Ao precisar de ajuda e não saber a quem pedir, entre em contato com o Centro de Valorização à Vida, pelo site www.cvv.org.br ou pelo telefone 188. O atendimento é 24 horas, a ligação é gratuita, e não é preciso se identificar.
Buscar ajuda psicológica não deve ser encarado apenas como uma medida para momentos de crise. O acompanhamento profissional também atua na prevenção, ajudando a identificar padrões de sofrimento emocional antes que eles evoluam para situações mais graves.
Estudos internacionais mostram que a maioria das pessoas que morrem por suicídio apresentou algum sinal de sofrimento emocional nas semanas ou meses anteriores. Isso reforça que reconhecer esses sinais e agir precocemente pode salvar vidas.
Perguntas frequentes sobre Setembro Amarelo e prevenção ao suicídio
O que é a campanha Setembro Amarelo?
É uma campanha de conscientização sobre a prevenção do suicídio, realizada desde 2015 no Brasil, com foco em informação, acolhimento e combate ao estigma.
Falar sobre suicídio pode incentivar o ato?
Não. Ao contrário, conversar abertamente sobre o tema pode salvar vidas. O silêncio e o tabu são grandes inimigos da prevenção.
O suicídio sempre está relacionado à depressão?
Não. Embora a depressão seja um importante fator de risco, transtornos de ansiedade, transtorno bipolar, dependência química, situações de violência, perdas importantes e outros fatores também podem estar envolvidos.
Quais são os sinais de que alguém pode estar em risco?
Isolamento social, mudanças bruscas de comportamento, tristeza profunda, comentários sobre “não aguentar mais” ou “querer desaparecer”, entre outros.
Como conversar com alguém com pensamentos suicidas?
O ideal é ouvir sem julgamentos, demonstrar acolhimento, evitar minimizar o sofrimento e incentivar a procura por atendimento psicológico ou psiquiátrico. Permanecer próximo da pessoa e ajudá-la a acessar os serviços de saúde também pode fazer diferença.
Encoraje a procurar ajuda profissional e informe canais como o CVV (188), que presta apoio 24h.
Quando procurar ajuda profissional?
Sempre que pensamentos relacionados à morte, desesperança intensa ou sofrimento emocional persistente estiverem presentes. Quanto mais cedo o tratamento começa, maiores tendem a ser as chances de recuperação.
O que fazer se eu estiver me sentindo assim?
Você não está sozinho. Procure um psicólogo, entre em contato com o CVV pelo 188 ou agende uma conversa com nossa equipe. Falar é o primeiro passo para a cura.
A Clínica Marcelo Parazzi
A Clínica Marcelo Parazzi também apoia a campanha Setembro Amarelo. Contamos com uma equipe multidisciplinar experiente, pronta para acolher cada paciente de forma humanizada, respeitando sua história, seus limites e seu tempo. Nosso compromisso é com a vida, e cada atendimento é conduzido com ética, sigilo e empatia. Aqui, você encontra um espaço seguro para falar, sentir e recomeçar.
Além disso, nossa abordagem combina Terapia Cognitivo-Comportamental (TCC), que nasceu para tratar a depressão de forma mais eficiente e, portanto, com maior alcance do que vinha sendo praticado até então, com multidisciplinaridade para a conquista de melhores resultados.
Oferecemos Terapia à Distância para pessoas que residem fora do país ou que preferem realizar as sessões em casa. Agende sua avaliação e dê o primeiro passo para a recuperação.
*Conteúdo atualizado em setembro de 2026.
