Quais os tratamentos do jogo patológico?

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Quais os tratamentos do jogo patológico?

O jogo patológico pode causar prejuízos emocionais, financeiros e sociais. Entenda os sintomas, os tratamentos disponíveis e a importância do apoio familiar na recuperação. 

Para muitos, frases como “vamos jogar uma partidinha?” denotam apenas um convite à diversão.

Já para outras pessoas, frases assim podem significar a perda de algo muito importante: o controle de si mesmo.

Isso porque há momentos em que o passatempo de jogar deixa de ser um entretenimento e passa a prejudicar completamente todas as demais áreas da vida do jogador.

Casos como esse são classificados como compulsão por jogos, um transtorno que inclusive pode favorecer ou agravar o desenvolvimento de outros transtornos de ordem emocional e mental. Vamos entender um pouco mais a respeito?

Jogo patológico: uma doença que demanda tratamento

O transtorno do jogo é reconhecido oficialmente pelo Manual Diagnóstico e Estatístico de Transtornos Mentais (DSM-5), uma das principais referências mundiais em saúde mental. Sua inclusão entre os transtornos relacionados ao comportamento aditivo reforça que se trata de uma condição clínica que demanda avaliação e tratamento especializados.

A ludomania, mais conhecida como jogo patológico – ou popularmente intitulada “vício em jogo” – é uma condição que acompanha o formato de quaisquer outros vícios.

Há uma série de comportamentos repetitivos, compulsivos e motivados pela necessidade constante de buscar cada vez mais a sensação de prazer ou recompensa.

Mas os problemas que o jogo patológico ocasiona ao indivíduo viciado não param por aí, uma vez que os familiares, amigos e todas as outras pessoas com quem esse indivíduo possui algum vínculo afetivo ou de convivência também são afetadas.

Afinal, para quem olha de fora, muitas vezes o viciado é julgado, criticado e rotulado, desconsiderando o fato de que ele é portador de uma doença que demanda tratamento para que ele se recupere.

Hobby ou vício: como saber?

Antes de mais nada, é preciso esclarecer uma coisa: mesmo que nem todo hobby venha a se tornar um vício, fatalmente quase todos os vícios já foram “apenas um hobby” algum dia.

É esse o motivo que faz com que o viciado dificilmente identifique que seu quadro se encaixa em uma patologia.

Aliás, geralmente quem nota mais facilmente os indícios do surgimento de um vício é quem está em volta do possível indivíduo viciado.

Sabe-se que todo tipo de vício é complicado por si só e pode se instaurar de forma a interferir no cotidiano familiar, profissional e nos relacionamentos sociais de alguém.

Quando se trata de compulsão relacionada a jogos, o problema pode aumentar ainda mais se envolver apostas em dinheiro, o que pode dar a falsa esperança de ganhos que raramente virão.

Quem tem maior risco de desenvolver jogo patológico?

Embora qualquer pessoa possa desenvolver compulsão por jogos, alguns fatores aumentam significativamente o risco.

Pessoas com histórico familiar de dependência química ou comportamental, indivíduos impulsivos, aqueles que apresentam quadros de ansiedade, depressão ou transtorno bipolar e pessoas expostas precocemente a apostas tendem a ser mais vulneráveis ao desenvolvimento do transtorno.

Além disso, momentos de estresse intenso, dificuldades financeiras, perdas emocionais ou sensação de solidão podem funcionar como gatilhos para o agravamento do comportamento compulsivo.

Por isso, identificar fatores de risco precocemente pode ajudar na prevenção e no encaminhamento para tratamento especializado.

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Sintomas do jogo patológico

É imprescindível saber reconhecer os principais sintomas do vício em jogos.

Alguns, que figuram entre os mais comuns são:

  1. Problemas no convívio social, que podem culminar em isolamento, por foco no vício ou visando evitar críticas alheias;
  2. Perda do interesse pelas atividades que antes eram habituais, incluindo alimentação; 3. Descontrole dos impulsos, especialmente relacionados ao jogo;
  3. Relacionamentos pessoais e familiares prejudicados.

Além desses sintomas, é interessante verificar que a maioria dos viciados em jogos não admite a gravidade do problema, ou acredita que o vício não é algo que ocorra com ele.

E há ainda os casos em que se envolve dinheiro no vício, e nessas situações os sintomas de uma situação viciante incluem:

  1. Apostas cada vez mais altas, sob o pretexto ou tentativa de recuperar o dinheiro perdido;
  2. Perda da noção das próprias prioridades, situação em que o jogador viciado aposta reservas financeiras que eram destinadas ao pagamento de suas necessidades básicas;
  3. Envolvimento em infrações, fazendo (literalmente) de tudo para obter os recursos para conseguir manter o vício;
  4. Desenvolvimento de tendências suicidas, por conta das dívidas sucessivamente acumuladas.

Consequências do jogo patológico

Quando não tratado, o jogo patológico pode gerar consequências que vão muito além das perdas financeiras.

É comum que o transtorno provoque dificuldades profissionais, afastamento social, conflitos conjugais, rompimento de vínculos familiares e comprometimento da saúde mental.

Muitos jogadores desenvolvem sintomas de ansiedade, depressão, insônia e baixa autoestima. Em situações mais graves, o acúmulo de dívidas e a sensação de perda de controle podem aumentar o risco de pensamentos suicidas.

Por isso, buscar ajuda nos primeiros sinais é uma das medidas mais importantes para evitar o agravamento do quadro.

Tratamentos para o jogo patológico

Aqui cabe uma ressalva importante: apesar de muito similar a qualquer outro vício, o jogo patológico não acarreta mudanças no organismo do jogador, como ocorre no caso de dependência química, por exemplo.

Desta forma, se não houver incidência de outras doenças físicas ou psicológicas associadas, não haverá a necessidade de um tratamento farmacológico.

Psicoterapia

Dentre as indicações de principais tratamentos está a psicoterapia.

Ela permite que se identifique, trate e acompanhe fatores psicológicos que possam funcionar como gatilhos para o vício, tais como descontrole da impulsividade, não saber lidar com situações de frustração ou mesmo baixa autoestima.

Grupos de apoio

Outra opção entre as mais recomendadas é a participação do jogador compulsivo em grupos de apoio.

A finalidade é oportunizar o contato com outras pessoas que entendem perfeitamente o que se passa com esse indivíduo, pois sentem na pele a mesma situação, o que pode acabar se tornando tanto uma fonte de compartilhamento de experiências como de inspiração a se cuidar e buscar superar o vício.

Como evitar recaídas durante a recuperação?

A recuperação do jogo patológico é um processo contínuo. Por isso, além do tratamento, é importante identificar situações que possam estimular novamente o desejo de jogar.

Algumas estratégias incluem limitar o acesso a plataformas de apostas, evitar ambientes associados ao comportamento compulsivo, desenvolver novos hobbies, fortalecer a rede de apoio familiar e manter acompanhamento psicológico regular.

A importância das clínicas de recuperação e das famílias para a recuperação

É preciso lembrar que as clínicas não trabalham apenas com reabilitação de viciados em jogos, mas possuem recursos e métodos aplicáveis ao tratamento de qualquer outro vício.

Esses recursos incluem assistências médica e psicológica, programas de atividades e terapias ocupacionais, além de grupos de apoio.

Outra grande vantagem é conseguir efetivar o afastamento dos ambientes que favorecem o vício, além de proporcionar o convívio com outras pessoas que buscam o mesmo objetivo de retomar o controle das próprias vidas.

Mas se o afastamento dos ambientes e pessoas nocivas é importante, a proximidade da família é fundamental na recuperação de um viciado.

Não basta simplesmente deixar o indivíduo numa clínica para dependentes, é preciso acompanhá-lo e dar-lhe o devido apoio.

O papel dos familiares funciona como um importante reforço positivo, e oferece compreensão, tolerância e a força necessária para que o dependente se sinta motivado o suficiente para vencer o vício.

Na prática clínica, é comum que pacientes procurem ajuda somente após perdas financeiras significativas ou conflitos familiares. No entanto, quanto mais cedo o tratamento é iniciado, maiores tendem a ser as chances de recuperação. 

Quer conversar sobre o assunto? Agende uma consulta!

Perguntas frequentes sobre tratamentos do jogo patológico

Aqui na Clínica, costumamos receber com frequência algumas perguntas sobre o tratamento para  o transtorno do jogo. Confira e tire suas dúvidas!

Jogo patológico tem cura?

O jogo patológico pode ser controlado com tratamento adequado. Muitas pessoas conseguem recuperar sua qualidade de vida, reduzir os impulsos e retomar suas atividades pessoais, profissionais e familiares.

Qual profissional trata o jogo patológico?

O tratamento geralmente envolve psicólogos e psiquiatras. Dependendo do caso, outros profissionais da saúde podem participar do acompanhamento.

O jogo patológico é considerado uma doença?

Sim. O transtorno do jogo é reconhecido pela comunidade científica e pelos principais manuais de diagnóstico em saúde mental.

Quando procurar ajuda para o vício em jogos?

Sempre que o comportamento começar a causar prejuízos financeiros, emocionais, familiares ou profissionais.

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