Tratamento para vício em jogos online: como a TCC pode ajudar?

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Tratamento para vício em jogos online: como a TCC pode ajudar?

Entenda como identificar o vício em jogos online, seus impactos na rotina e como a Terapia Cognitivo-Comportamental (TCC) auxilia no tratamento, promovendo equilíbrio, autocontrole e uma relação mais saudável com os games.

Nos últimos anos, vivemos tempos atípicos, nos quais ficou mais evidente a necessidade humana de uma válvula de escape para o estresse acumulado.

Adquirimos de modo compulsório – e até obrigatório – habilidades que nos ajudaram a separar ou conciliar (a depender da demanda) lazer, trabalho, família, estudos, e muitos se viram angustiados quando todas essas demandas se acumularam simultaneamente dentro do mesmo espaço.

Assim, muitas pessoas passaram a ver nos jogos (especialmente os online) uma prática para extravasar, livrar-se das tensões acumuladas e ter um momento de diversão.

Tecnicamente, não há absolutamente nada de mal nisso. O problema se instala quando se perde a medida, transpondo a linha tênue entre o lazer saudável e o vício, que acarreta prejuízos financeiros, interacionais e profissionais.

Reconhecimento do uso abusivo de jogos eletrônicos como doença

Em 2018, ao atualizar a lista de doenças (anteriormente conhecida como CID-10) a Organização Mundial da Saúde – OMS reconheceu na nova classificação Estatística Internacional de Doenças e Problemas Relacionados à Saúde (CID-11) que o descontrole ou uso abusivo de jogos eletrônicos se encaixa oficialmente no padrão de doença, dados os prejuízos físicos, psicológicos e inter-relacionais causados ao indivíduo.

Segundo a OMS, o transtorno do jogo eletrônico é caracterizado por um padrão persistente ou recorrente de comportamento relacionado aos jogos, no qual há perda de controle sobre o ato de jogar, aumento da prioridade dada aos games em relação a outras atividades e continuidade do comportamento mesmo diante de consequências negativas. Para ser considerado um transtorno, esse padrão geralmente precisa causar prejuízos significativos na vida pessoal, familiar, social, educacional ou profissional. 

Em nossa experiência, na Clínica Marcelo Parazzi, é evidente o significativo aumento pela busca de tratamento, para transtornos relacionados ao jogo patológico, o que nos dá a dimensão do quanto isso tem afligido milhares de pessoas. 

Leia também Vício em games é considerado transtorno de saúde mental.

Mas como saber então a exata medida em que aquilo que era simples diversão passa dos limites e se torna uma dependência?

É importante destacar que passar muitas horas jogando não significa necessariamente que uma pessoa tenha um transtorno. O diagnóstico considera principalmente a perda de controle, o sofrimento causado pelo comportamento e os impactos negativos na rotina. Um jogador pode ter um grande envolvimento com games e ainda manter uma vida equilibrada. 

Como identificar o vício

Informar-se é o primeiro passo, pois, mesmo não sendo uma solução imediata para possíveis problemas já instalados, pode fornecer as ferramentas necessárias para buscar ajuda na hora e no lugar corretos.

Quando o jogo online vira um hábito recorrente, que interfere na rotina, nas relações familiares, interações com amigos e na produtividade na escola ou no trabalho, por exemplo, as chances são enormes de que o limite da diversão tenha sido ultrapassado e o lazer já seja caracterizado como compulsão.

Vale lembrar que o problema se agrava ainda mais quando envolve apostas financeiras, os chamados jogos de azar.

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Compulsão pode acometer adultos e crianças

Porém, muito se engana quem acredita que as características do jogo patológico significam falha de caráter. Afinal, elas nem sequer estão restritas ao público adulto.

Estudos científicos indicam que o transtorno relacionado aos jogos eletrônicos pode atingir uma parcela da população mundial, especialmente entre adolescentes e adultos jovens.

Uma revisão sistemática e meta-análise publicada no Australian & New Zealand Journal of Psychiatry analisou dados de 53 estudos realizados em 17 países, envolvendo mais de 226 mil participantes, e estimou uma prevalência global de aproximadamente 3% para o transtorno de jogos eletrônicos, com variações conforme os critérios utilizados nas pesquisas. Esse dado reforça a importância de observar não apenas o tempo gasto nos jogos, mas principalmente a perda de controle e os prejuízos causados pelo comportamento. 

Com a era digital, muitas crianças, adolescentes e jovens infelizmente já se encaixam nesse padrão.

A adolescência merece atenção especial porque essa fase envolve mudanças emocionais, sociais e cognitivas importantes. Além disso, os jogos online oferecem elementos como recompensas rápidas, desafios constantes e interação social, fatores que podem aumentar o envolvimento quando não há equilíbrio entre o ambiente virtual e as atividades presenciais. 

Apesar disso, em vez de simplesmente rotular essas pessoas, é muito mais importante entender os sintomas para poder reconhecê-los, independentemente da idade de quem os apresente.

Sinais do vício

Alguns dos mais comuns envolvem abandonar hábitos simples como cuidar da própria higiene ou alimentar-se, evitar quase sempre sair com os amigos, optar por ficar muitas horas em casa, somente para continuar jogando.

Os jogos eletrônicos podem ativar sistemas cerebrais relacionados à recompensa e motivação, envolvendo neurotransmissores como a dopamina. Esse mecanismo ajuda a explicar por que algumas pessoas sentem forte desejo de continuar jogando, especialmente quando o comportamento passa a ser associado ao alívio de emoções negativas, como ansiedade, frustração ou estresse. 

Tratamento para vício em jogos online

O primeiro passo no tratamento para vício em jogos online é o diagnóstico adequadamente efetuado mediante avaliação profissional de um psiquiatra, que indica a melhor prática a ser seguida.

Normalmente, os principais tratamentos estão voltados à psicoterapia, e podem ser feitos em clínicas especializadas.

Psicoterapia

Um dos tratamentos mais utilizados e indicados para pacientes com quadros de vícios em jogos online, a Terapia Cognitivo-Comportamental consiste em favorecer momentos e meios para que o paciente compreenda todos os aspectos que envolvem a dependência e crie condições que tornem possível o desenvolvimento e a retomada das relações sociais, porém longe do ambiente de jogo online.

Desta forma, com o auxílio de um psicólogo, é possível identificar os gatilhos que levam o paciente a desencadear o vício, conseguindo substituí-los, desenvolvendo o interesse por atividades alternativas a esse círculo vicioso, com a finalidade de, tanto quanto possível, construir um contato mais saudável com os jogos.

Outras alternativas de tratamento para vício em jogos online

Há também tratamentos alternativos que podem ajudar, inclusive sendo administrados de forma concomitante à psicoterapia.

É o caso, por exemplo, da fitoterapia, que utiliza medicamentos naturais que ajudam a manter controlados os episódios de ansiedade e depressão ocasionados pela dependência.

Antes de mais nada, é primordial que o paciente inicie a adoção de hábitos saudáveis de vida, a fim de que encontre meios de desapegar da necessidade constante de recompensa que sentia ao jogar.

O incentivo de manter uma alimentação saudável e a prática de atividades físicas e relacionamentos presenciais de afeto e confiança reais costumam ser grandes aliados dos que dificilmente recaem no vício.

Como a TCC pode ajudar no tratamento para vício em jogos online

Uma vez diagnosticado que se ultrapassou o limite tênue entre a diversão e a compulsão, o jogador compulsivo online precisa do tratamento adequado, ou seja, uma abordagem interdisciplinar que se fundamenta principalmente na TCC – Terapia Cognitivo-Comportamental.

Como nesses casos o paciente é fortemente impelido a jogar, investindo cada vez mais tempo nisso e tendo consequências drasticamente práticas em sua rotina como um todo, o ideal é que se inicie o tratamento ensinando ao paciente um pouco sobre a psicopatologia de que ele sofre.

Em seguida, é importante conhecer o histórico desse paciente como indivíduo, bem como os aspectos que o relacionam ao vício, com a finalidade de possibilitar intervenções que utilizam técnicas de auxílio, para que o próprio paciente vá se libertando do vício.

A Terapia Cognitivo-Comportamental é uma das abordagens psicológicas mais estudadas cientificamente e trabalha com a identificação da relação entre pensamentos, emoções e comportamentos. No tratamento da dependência comportamental, como o uso problemático de jogos, a TCC auxilia o paciente a compreender os padrões que mantêm o comportamento e desenvolver estratégias mais saudáveis para lidar com emoções e situações difíceis. 

Um dos papéis mais importantes da TCC é sua atuação na percepção do indivíduo em relação a si mesmo, possibilitando que ele se observe de modo funcional e seja capaz de questionar pensamentos distorcidos que possivelmente estejam gerando sentimentos negativos.

Por meio de exercícios concretos e aplicando as técnicas adequadas durante o processo terapêutico, já se percebe um aumento considerável na autonomia e uma melhora gradativa nos níveis de angústia, partindo principalmente do enfraquecimento de crenças negativas que essa pessoa cultivou ou desenvolveu por ocasião de experiências ocorridas desde a primeira infância, e que costumavam ser gatilhos para recorrer novamente ao vício.

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Perguntas frequentes sobre tratamento para vício em jogos online

Vício em jogos online tem tratamento?

Sim. O tratamento envolve principalmente acompanhamento psicológico, especialmente abordagens como a Terapia Cognitivo-Comportamental, além de estratégias para reorganizar hábitos e recuperar o equilíbrio da rotina.

Quantas horas jogando por dia é considerado vício?

Não existe um número exato de horas que define o vício. O principal indicador é quando o jogo começa a prejudicar relacionamentos, estudos, trabalho, saúde ou outras atividades importantes.

A TCC funciona para vício em jogos?

A TCC pode ajudar o paciente a identificar pensamentos e comportamentos relacionados ao uso excessivo dos jogos, compreender gatilhos emocionais e desenvolver novas estratégias para lidar com situações difíceis.

Crianças podem desenvolver dependência de jogos?

Sim. Crianças e adolescentes também podem apresentar comportamento problemático relacionado aos jogos, principalmente quando há perda de controle e prejuízos no desenvolvimento, rotina ou relações sociais.

Clínica Marcelo Parazzi

Se você tem passado por isso ou conhece alguém que esteja enfrentando esse problema, a Clínica Marcelo Parazzi pode ajudar.

Nossa abordagem combina Terapia Cognitivo-Comportamental (TCC), por meio de tratamentos tradicionais com psicólogos e terapias complementares que comprovadamente auxiliam nos resultados do tratamento.

Oferecemos Terapia à Distância para pessoas que residem fora do país ou que preferem realizar as sessões em casa. Agende sua avaliação e dê o primeiro passo para a recuperação.

*Conteúdo publicado em agosto de 2022 e atualizado em agosto de 2026.

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