Nomofobia: vício em celular e seus efeitos | Entenda e supere

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Nomofobia: vício em celular e seus efeitos | Entenda e supere

Ao longo das últimas décadas, a tecnologia vem sendo cada vez mais adaptada, chegando ao ponto de caber na própria mão.

Por outro lado, a mesma evolução que trouxe o acesso à telefonia e serviços de internet para tantos trouxe também os problemas causados pelo excesso de exposição pessoal.

A expansão das redes sociais e de relacionamentos virtualizou a vida e a rotina das pessoas, ao ponto de hoje em dia serem muito poucos os que se sentem capazes de viver sem, a cada minuto, consultar o celular para o que quer que seja.

Problema evidente entre os jovens

O problema da superexposição ao mundo virtual fica ainda mais evidente entre os adolescentes.

Muitos deles sequer conseguem imaginar as próprias vidas sem a conectividade que sempre tiveram à mão. Inclusive é cada vez mais comum a chamada nomofobia, um transtorno psicológico relativamente novo, em que o indivíduo é tomado por um medo irracional de ficar sem o celular.

Segundo estudo realizado na Universidade Federal do Espírito Santo (Ufes) e informações divulgadas pela Universidade Federal de Minas Gerais, 25% dos adolescentes brasileiros são viciados em acessar a internet, por meio de diversos dispositivos.

Dados levantados pela Opinion Box indicam o uso abusivo dos smartphones por crianças e adolescentes no Brasil: 61% dos bebês até três anos de idade têm acesso a smartphones, e 12% têm aparelhos só deles. Além disso, 95% das crianças entre 10 e 12 anos têm algum tipo de acesso ao celular.

O que é nomofobia

A origem do termo vem da junção das palavras inglesas no+mobile+phobia, que significa, quase que literalmente, “medo de ficar sem o celular”.

Essa fobia se manifesta, por exemplo, se a pessoa se sente agoniada quando a bateria do celular está para acabar, experimenta um medo imenso de ficar sem sinal por várias horas, ou mesmo confere incessantemente as notificações (chegando a ouvir até mesmo alertas que nunca tocaram), como se ficar sem o aparelho, ainda que temporariamente, fosse lhe causar algum dano ou agindo como se sua vida dependesse disso.

Indivíduos nomofóbicos são basicamente pessoas que não conseguem levar sua vida desconectada de smartphones ou do mundo virtual.

Curiosamente, essa simples definição se relaciona diretamente a quase todas as pessoas adolescentes ou jovens, cuja vida social, acadêmica, profissional e pessoal depende unicamente do uso de um smartphone.

Isso sem contar que muitos estão substituindo completamente a comunicação pessoal pela virtual.

Uma revisão sistemática que analisou 43 estudos com mais de 36 mil participantes em 18 países encontrou que cerca de 51% dos entrevistados apresentaram sintomas moderados de nomofobia e aproximadamente 21% sintomas graves, evidenciando que o medo de ficar sem o celular é generalizado, e não um comportamento isolado ou culturalmente restrito. 

Superexposição disfarçada de conectividade

Embora a internet tenha se estabelecido há pouco mais de 30 anos, estudos comprovam que o número de pessoas dependentes do celular aumenta exponencialmente, e a enorme quantidade de facilidades advindas dos inúmeros aplicativos e serviços oferecidos pelo mundo mobile não tem ajudado muito nessas estatísticas.

Entretanto, mesmo que a nomofobia seja uma característica predominante entre adolescentes e jovens, a geração definida como “nativos digitais”, eles não são os únicos que estão expostos aos perigos e danos dessa superexposição disfarçada de conectividade.

E se as estatísticas brasileiras já revelavam, em 2018, que o país já tinha mais de um celular por habitante, imagine esses dados atualizados, especialmente levando em consideração que passamos por momentos em que a pandemia de Covid-19 alterou completamente o comportamento e as formas de comunicação de todos mundo afora.

De uma hora para outra, nos vimos mais presos do que nunca aos aparelhos, e cada vez mais dependentes deles, uma vez que, com o emocional abalado pelo isolamento social, quase sempre a comunicação virtual era a única forma de substituir as visitas presenciais “proibidas”, trocar ideias, trabalhar, estudar, ver um médico ou mesmo encontrar algum consolo pela perda de alguém querido.

 

Níveis desproporcionais de ansiedade e estresse

Mas o problema real se caracteriza não pelo tempo em que se permanece conectado, e sim pela forma como se utiliza o celular.

Em pesquisas recentes, ao ficarem impossibilitados de utilizar seus smartphones, a maior parte dos entrevistados demonstrou níveis de ansiedade e estresse comparáveis aos de idas ao dentista ou mesmo ao dia do próprio casamento.

Por exemplo, em uma amostra de estudantes de enfermagem, cerca de em uma amostra de estudantes de enfermagem, cerca de 24,5% apresentaram sintomas severos de nomofobia, e o tempo de uso do smartphone foi um dos preditores de níveis elevados de estresse percebido.

A maioria atribuiu essa ansiedade à falta de contato com familiares e amigos, o que se revela um paradoxo, uma vez que grande parte das desavenças e da falta de comunicação entre familiares e amigos parece advir precisamente da prática de uma pseudopresença, ou seja, quando se prefere permanecer ao celular, mesmo estando ao lado de alguém com quem se deveria manter um contato presencial de qualidade.

Outra atitude que se encaixa nesse padrão é quando as pessoas preferem se comunicar via mensagens de texto, mesmo estando ao lado umas das outras.

 

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Brasileiros lideram na doença de primeiro mundo

A nomofobia, que já foi considerada uma “doença de primeiro mundo”, atualmente se tornou um risco cada vez maior para toda a sociedade.

Hoje em dia, os brasileiros lideram o ranking de tempo de uso do celular, muitos verificam o telefone inúmeras vezes em espaços curtíssimos de tempo.

Segundo informações divulgadas pela Forbes, um estudo recente da nomophobia.com, portal dedicado ao tema, revela que 60% dos brasileiros reportam ansiedade quando não estão com seus celulares. O levantamento mostra ainda que 87% se consideram dependentes de seus smartphones para suas atividades diárias, o que mostra o papel central dos celulares no estilo de vida da população.

Além disso, há ainda outra combinação que pode ser fatal: celular e trânsito. No Brasil, apesar de as penalidades serem bastante pesadas para quem utiliza o aparelho enquanto dirige, isso não parece intimidar boa parte da população.

É bom lembrar que as estatísticas já mostram que enviar ou ler mensagens de texto enquanto dirige aumenta o risco de acidentes em 23%, ou seja, quem opta por ter essas atitudes acaba arriscando a própria vida e a dos outros, simplesmente por não conseguir esperar para conferir as notificações do telefone na próxima parada, ou mesmo quando o sinal estiver fechado.

Sintomas da nomofobia

Para alguns, a nomofobia nem mesmo deveria se encaixar entre as fobias, pois estas se caracterizam como “medos irracionais, sem controle consciente”. Seguindo esse raciocínio, em tese, a doença seria mais propriamente considerada como uma obsessão, por ser perfeitamente perceptível, palpável e até mais facilmente tratável.

Independentemente disso, para duas a cada três pessoas, o termo “desapego” associado à palavra “celular” sequer deve ser mencionado sem ser visto como um grande problema. Para saber a diferença, é preciso estar atento aos principais sinais, característicos de alguém que pode apresentar nomofobia. São eles:

  • Sentir-se incapaz de desligar seu telefone;
  • Fazer compulsivamente verificações de notificações de mensagens, chamadas e e-mails (algumas pessoas dão a desculpa de conferir as horas, e o fazem a cada minuto, pois sequer registram mentalmente o horário que viram na tela);
  • Colocar constantemente o celular para carregar;
  • Observar obsessivamente as redes sociais e o WhatsApp;
  • Ficar irritado quando acaba a internet ou por precisar permanecer em locais que não possuam conexão wi-fi;
  • Incapacidade de ir ao banheiro sem levar o telefone consigo.

Nomofobia: malefícios do vício em smartphone

Confira 4 malefícios que o vício em smartphone pode proporcionar.

1. Perda de produtividade

Por conta do hábito de permanecer o tempo todo conectados ao celular, acabamos nos convencendo de que podemos ser multitarefas. Na realidade, contudo, o que se percebe é que, ao tentar fazer outras atividades enquanto se está ao celular, acabamos perdendo parte da atenção que damos a uma das tarefas que acreditamos estar desempenhando.

Sem foco, o que ocorre é que não conseguimos cumprir a contento nenhuma dessas tarefas, o que pode, muitas vezes, demandar retrabalhos, que, no fim das contas, tomarão ainda mais tempo do que se optássemos por realizar uma atividade por vez.

Isso significa dizer, necessariamente, que, ao optar por multitarefas, sua produtividade automaticamente sofrerá uma queda drástica, pois o cérebro trabalhará em apenas uma das atividades, e as demais serão feitas “no piloto automático”, isto é, mecanicamente e sem grande foco mental.

2. Aparente falta de educação

Pode parecer chatice, mas chega a ser deselegante quando alguém desiste de falar com você por não ter a devida atenção quando tenta conversar, simplesmente pelo fato de um dos interlocutores prestar mais atenção ao celular do que à conversa, sem manter o foco do que deveria estar ouvindo.

3. Aumento de ansiedade e depressão

Sabendo que a nomofobia pode gerar quadros de ansiedade e depressão, outro fato bastante contraditório é a constatação de que, quanto mais os indivíduos se mantêm em contato com seus smartphones, mais estão propensos a desenvolverem esse transtorno.

Ou seja, ao mesmo tempo em que as pessoas precisam aprender a desapegar ao menos um pouco das tecnologias para não desenvolverem transtornos como a nomofobia, não ter seus aparelhos por perto lhes causa um sofrimento profundo de ansiedade, como se algo de perigoso ou de ruim fosse acontecer precisamente enquanto estiverem desconectadas, ou em decorrência de terem ficado incomunicáveis. É um ciclo vicioso – neste caso, literalmente.


4. Propensão à insônia

Comprovado cientificamente inúmeras vezes, é inegável o fato de que a luz azul do celular inibe a melatonina – hormônio que regula a qualidade do sono – e, consequentemente, mantém o cérebro em alerta.

Ao verificar e-mails, mensagens ou redes sociais “uma última vez” antes de dormir, abastecemos nosso cérebro de informações instigantes, que dificultarão o processo de descanso do corpo, aumentando muito as chances de mantê-lo em alerta por um tempo maior que o desejado.

Dessa forma, quem apresenta problemas de insônia, ou mesmo em relação à qualidade ou ritmo do sono, precisa ficar atento se não está se autobombardeando de informações nos momentos em que deveria estar começando a relaxar para dormir.

Se a resposta for positiva, provavelmente será suficiente afastar-se do telefone por cerca de uma hora antes de se deitar, e configurá-lo para filtrar a luz azul ou ativar o modo avião durante a noite, a fim de evitar que a claridade de cada notificação seja um obstáculo a mais para a tranquilidade de seu sono.

5. Transferência do mau hábito aos filhos

Para muito além das circunstâncias que obrigam o uso do celular no dia a dia, hábitos nocivos de uso são passados como exemplo aos filhos, pois eles espelham muito mais o que os adultos fazem do que aquilo que lhes é dito. 

Sendo assim, o desenvolvimento de uma autorregulação não traz benefícios somente aos adultos, mas também aos menores, que cada vez mais reproduzem comportamentos de dependência tecnológica, com todos os males que esses excessos trazem como “valor agregado”.

Muitos pais tentam regular o tempo de uso e conectividade dos filhos, sem, no entanto, praticar a autorregulação (ao menos na frente deles).

Dicas para evitar a dependência digital

Quando se verifica que não é possível de alguma forma desvincular ou desconectar das tecnologias, certamente é sinal de que há algum problema que precisa ser admitido, enfrentado e regulado, e que talvez seja a hora de dar um tempo, para o bem de todos.

Antes de mais nada, procure equilibrar o tempo que passa com o celular, em relação ao tempo que interage cara a cara com as pessoas. Desligue seu celular por um tempo, procure atividades que possa realizar offline (caminhadas, corridas, conversar com um familiar ou vizinho), e quando for praticá-las, evite levar o celular consigo. 

Se preferir, divida seu dia em momentos nos quais use as tecnologias, e outros nos quais interage pessoalmente, e procure manter o foco na qualidade do uso e distribuição do tempo em cada um desses momentos.

Coloque o celular a uns dez metros de distância de você à noite. Provavelmente, isso ajudará não só na qualidade do sono, como também evitará que você aperte inúmeras vezes o botão de soneca, que geralmente só ativa a irritabilidade e aumenta o cansaço corporal ao acordar.

Em pouco tempo, verá que a construção desse hábito, além de mais saudável, lhe dará uma sensação de liberdade da qual você não vai querer se separar nunca mais.

E se a situação já estiver em um patamar que se acredite que não vai conseguir resolver por si mesmo, procurar apoio psicoterápico pode ser uma boa ideia.

Quer conversar sobre o assunto? Agende uma consulta!

 

 

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*Conteúdo atualizado em março de 2026.

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