Dependência de Internet

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Dependência de Internet

Desde meados dos anos noventa do século XX, alguns autores iniciaram suas pesquisas sobre o assunto e também suas preocupações acerca de possíveis aspectos negativos relacionados ao uso excessivo da tecnologia, em específico a internet e a possibilidade de desenvolver a dependência de internet.

Descobriu-se então, sobretudo a partir de Kimberly S.Young em 1996, que um indivíduo poderia desenvolver dependência da rede mundial com graves consequências para sua vida.

Iniciou-se também com Young o desenvolvimento dos critérios diagnósticos para tal dependência, ou seja, sempre que falamos em dependência de algo, o profissional habilitado necessita de parâmetros para determinar se um indivíduo possui ou não dependência, neste caso, digital.

Leia também Dependência da Internet: o que caracteriza o vício.

Embora a dependência de internet ainda não esteja formalmente classificada como um transtorno específico em manuais diagnósticos como o DSM-5, já existem reconhecimentos importantes relacionados ao uso problemático de tecnologias.

Um exemplo é o Transtorno de Jogos pela Internet, incluído como condição para estudos pela American Psychiatric Association, e o Gaming Disorder reconhecido pela Organização Mundial da Saúde na CID-11.

Saiba mais em Vício em games é considerado transtorno de saúde mental.

Critérios de determinação da dependência de internet

Estudos recentes apontam que o uso excessivo da internet tem crescido de forma significativa nos últimos anos. Uma revisão publicada em periódicos internacionais indica que entre 6% e 10% da população mundial pode apresentar sinais de uso problemático ou dependência digital, variando conforme a faixa etária e o contexto social.

Entre adolescentes e jovens adultos, esses números tendem a ser ainda mais elevados, o que reforça a importância da identificação precoce.

Atualmente, os critérios são, segundo Nathan Shapira (pesquisador e psiquiatra da Universidade da Flórida) e colaboradores:

  1. Preocupação mal adaptativa com o uso de internet, conforme indicado por pelo menos um dos seguintes itens:
  • Preocupação com o uso da internet experienciada como incontrolável e irresistível.
  • O uso da internet é marcado por períodos maiores do que os planejados.
  1. O uso da internet e a preocupação com o uso causando prejuízos significativos ou danos nos aspectos sociais, ocupacionais ou outras áreas importantes do funcionamento.
  2. O uso excessivo da internet não ocorre exclusivamente durante os períodos de hipomania ou mania e não é mais bem explicado por outro transtorno do Eixo I.

Além dos critérios clínicos, alguns sinais podem indicar um uso problemático da internet no dia a dia:

  • Dificuldade em reduzir o tempo de uso, mesmo quando há intenção.
  • Irritabilidade ou ansiedade ao ficar sem acesso.
  • Uso da internet como principal forma de aliviar emoções negativas.
  • Negligência de atividades importantes, como estudos, trabalho ou autocuidado.
  • Alterações no sono devido ao uso prolongado.

A presença frequente desses sinais pode indicar a necessidade de avaliação profissional.

Avaliação de um especialista

É importante salientar, que apenas um profissional qualificado da área da saúde poderá decodificar o que expõe os critérios supracitados. Mas deixaremos a seguir uma explicação sobre eles.

No primeiro item, devemos observar se o indivíduo apresenta dificuldades em se controlar e resistir ao acesso, por exemplo, diante de recomendações de seus familiares. Nesses casos também podemos observar uma pessoa que diz para si mesma que ficará apenas trinta minutos nas redes sociais e quando percebe, já ficou algumas horas.

No segundo item podemos observar pessoas que abandonam momentos com a família em detrimento da internet, muitas vezes apresentando algum isolamento. Ainda neste item, pode ocorrer a queda de rendimento no trabalho ou nos estudos por conta de tal dependência.

O terceiro item é mais clínico e específico, mas alerta sobretudo os profissionais sobre a possibilidade de tais sintomas estarem ligados a outras psicopatologias, ou seja, quadros psicológicos negativos.

Quanto ao terceiro item é interessante trazer à tona a informação de que algumas psicopatologias podem favorecer o mau uso da internet e dentre elas destacam-se: A depressão, os transtornos de humor, como o Transtorno Afetivo Bipolar, transtornos de ansiedade e Transtorno de Déficit de Atenção e Hiperatividade.

Alguns fatores podem aumentar a vulnerabilidade ao desenvolvimento da dependência de internet, como dificuldades emocionais, baixa rede de apoio social, estresse elevado e presença prévia de transtornos psicológicos.

Por outro lado, a prevenção passa por estratégias simples, como o estabelecimento de limites de uso, momentos de desconexão ao longo do dia e o incentivo a atividades presenciais e relações sociais fora do ambiente digital.

Quando procurar ajuda?

É recomendável buscar apoio profissional quando:

  • O uso da internet começa a gerar conflitos familiares ou sociais.
  • Há prejuízo no desempenho escolar ou profissional.
  • A pessoa sente que perdeu o controle sobre o tempo de uso.
  • O uso passa a ser a principal forma de lidar com emoções.

A busca por ajuda não deve ser vista como um sinal de fraqueza, mas como um passo importante no cuidado com a saúde mental.

A ajuda especializada é fundamental

Para tanto, é importante que o indivíduo que já percebe prejuízos em sua vida que podem estar relacionados com seu uso alterado de internet, ou mesmo um familiar, procure um profissional para discutir o tema. Os profissionais que poderão ajudar podem ser, por exemplo, um psicólogo ou um psiquiatra.

Se constatada a dependência, um tratamento deverá ser iniciado para tal dependência e se houver a presença de uma comorbidade psiquiátrica, esta deverá também ser tratada. Recomenda-se nesses casos que o programa de tratamento abarque a família, pois esta necessita ser orientada para auxiliar na recuperação e nos bons resultados do tratamento.

Terapia Cognitivo-Comportamental na dependência de internet

Uma abordagem que tem oferecido bons resultados no tratamento da dependência de internet, é a terapia cognitivo comportamental. Pois é a partir da reestruturação cognitiva, ou seja, modificação de regras, crenças e pensamentos dos indivíduos e também de modificações comportamentais, que ela pode oferecer uma nova possibilidade de relação entre a pessoa e a internet.

Vale destacar que diferentemente do tratamento de outras dependências, no caso da internet, a proposta não é solicitar que o indivíduo deixe de se relacionar ou mesmo utilizar a rede, justamente por compreender os benefícios que ela pode oferecer. Sendo assim, podemos falar de uma reeducação em sua utilização, mas que também abrangerá uma reeducação do ser no mundo de tal sujeito.

A partir daí, poderemos oferecer ao paciente a concomitante melhoria em outras áreas da sua vida e em última instância, a melhoria em sua qualidade de vida geral.

Um fenômeno interessante que se observa na clínica psicológica é que ao buscar uma melhoria para determinada questão, o indivíduo e seus familiares poderão alcançar progressos para além apenas de questões relacionadas à dependência de internet. Ou seja, a partir do momento em que um problema como esse aparece, ele pode ser a oportunidade de uma família promover diversas mudanças que já eram necessárias mesmo antes do surgimento desta dependência.

É o que costumamos dizer em nossa clínica, um problema que demanda apoio psicológico pode ser uma alternativa importante para a resolução deste problema, mas também uma grande fonte de evoluções de demandas ocultas carentes de evolução no indivíduo.

A Clínica Marcelo Parazzi

Se você tem passado por isso ou conhece alguém que esteja enfrentando esse problema, a Clínica Marcelo Parazzi pode ajudar.

Nossa abordagem combina Terapia Cognitivo-Comportamental (TCC), por meio de tratamentos tradicionais com psicólogos e terapias complementares que comprovadamente auxiliam nos resultados do tratamento.

Oferecemos Terapia à Distância para pessoas que residem fora do país ou que preferem realizar as sessões em casa. Agende sua avaliação e dê o primeiro passo para a recuperação.

*Conteúdo publicado em novembro de 2016 e atualizado em junho de 2026.

 

Bibliografia:

http://www.scielo.br/pdf/rbp/v30n2/a14v30n2

Young, K.S.; Abreu, C. N. de; Et all. Dependência de Internet. manual e guia de avaliação e tratamento. Artmed, Porto Alegre. 2011.

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