A ansiedade é uma reação que todo indivíduo experimenta diante de algumas situações, contudo alguns a vivenciam de forma mais intensa.
Quando os sintomas de ansiedade ultrapassam os limites e chegam a comprometer a saúde emocional, esta pode ser considerada patológica.
Confira quando os sintomas de ansiedade podem ser prejudiciais à saúde.
Ansiedade e medo
Segundo o DSM-5 (Manual de Diagnóstico e Estatística dos Transtornos Mentais), os transtornos de ansiedade são aqueles que compartilham características de ansiedade e medo excessivos, assim como perturbações relacionadas ao comportamento.
Desse modo, o medo pode ser considerado como a resposta emocional às ameaças iminentes reais e/ou percebidas. Já a ansiedade consiste na antecipação de uma futura ameaça.
O medo está relacionado a períodos de excitabilidade aumentada, necessária para fugir ou lutar, e está associado a pensamentos e comportamentos com a finalidade de escapar de algumas situações.
Dentre os transtornos de ansiedade, os ataques de pânico se destacam como um tipo específico de resposta ao medo.
Diferenciação entre ansiedade normal e patológica
De acordo com estimativas da Organização Mundial da Saúde (OMS), transtornos de ansiedade afetam mais de 301 milhões de pessoas no mundo, sendo uma das condições de saúde mental mais prevalentes.
No Brasil, dados da OMS indicam que o país está entre os que apresentam maiores índices de ansiedade, reforçando a importância de reconhecer sinais e buscar ajuda quando necessário.
É importante destacar que a ansiedade normal ocorre em momentos de estresse, sendo uma reação saudável e natural do corpo a certos desafios.
Porém, quando os sintomas se tornam excessivos, persistem por longos períodos ou se manifestam de maneira desproporcional ao estímulo, podem indicar um transtorno de ansiedade.
A ansiedade patológica, ao contrário da resposta adaptativa, pode causar prejuízos significativos no dia a dia, interferindo em relações pessoais, profissionais e na saúde física e mental do indivíduo.
Como controlar a ansiedade
A ansiedade pode ser controlada quando descobrimos os gatilhos mentais, e estes podem ser identificados por conta própria ou com a ajuda de um terapeuta. Por isso, atualmente, uma das melhores ferramentas para lidar com os sintomas de ansiedade é a psicoterapia.
Algumas vezes, os caminhos que levam à ansiedade podem ser óbvios, como o consumo excessivo de algumas substâncias (álcool, café e cigarro). Mas há também aqueles que são menos óbvios, que podem levar mais tempo para serem descobertos. Geralmente estes envolvem dificuldades financeiras e problemas no trabalho.
Assim, qualquer situação pode nos impactar, sendo importante ter algum tipo de apoio extra, através da terapia, mentores, familiares e amigos.
Após descobrir quais são os gatilhos, o ideal é evitar sua exposição a eles ou tentar limitá-los na medida do possível. Mas, caso não consiga reduzir esse contato, como um ambiente de trabalho estressante, por exemplo, que não pode ser mudado no momento, outras técnicas de enfrentamento podem ajudar.
O que define o transtorno de ansiedade
O transtorno de ansiedade diferencia-se da ansiedade normal ou do medo, quando os sintomas são excessivos e persistem além do período apropriado ao nível de desenvolvimento.
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Sintomas de ansiedade
Os sintomas que podem estar associados ao transtorno de ansiedade são:
Apetite desregulado
Alguns indivíduos usam a comida como solução para problemas emocionais. Assim, quando estão preocupadas, recorrem a doces e outros alimentos para aliviar os sentimentos.
Essa situação pode desencadear uma compulsão alimentar, sendo considerada um sinal de alerta quando existe a ingestão indiscriminada sem fome, por estresse, ansiedade ou qualquer outra emoção negativa.
Sono alterado
Dificuldades para dormir, como insônia antes de alguns episódios importantes como eventos e reuniões, assim como a dificuldade para se desligar dos problemas também caracterizam indícios de transtorno de ansiedade.
Ver perigo em tudo
Pessoas com transtorno de ansiedade enxergam o perigo fora de proporção, temem e evitam muitas situações comuns por medo e ansiedade em excesso.
Medo de falar em público
Basta pensar em falar em público que alguns sinais como mãos geladas, falta de ar, taquicardia, sudorese em excesso, respiração ofegante e falta de ar aparecem.
Esse receio pode estar ligado às preocupações com julgamento e/ou apreensão, aumentado a ansiedade.
Estar sempre à beira de um ataque nervoso
Mudanças de humor repentinas, irritabilidade sem explicação ou causa surgem em pessoas que estão sofrendo sintomas de ansiedade quando se encontram sob estresse e pressão.
Preocupações em excesso
Indivíduos com transtorno de ansiedade, geralmente, possuem preocupação constante com o futuro. Esse excesso afeta o sistema imunológico e leva a outros problemas como úlceras, dores de cabeça, estresse, etc.
Além disso, a angústia causada pelo excesso de preocupação também afeta a atenção, concentração e o foco. Desse modo, ocasiona a perda de eficiência em atividades do cotidiano, aumentando as preocupações e gerando um ciclo de novos problemas e desespero.
Tensão muscular
Dores na nuca, ombros e costas com músculos travados podem ser constantes e normalmente acompanham os transtornos de ansiedade.
Inquietação e irritabilidade constantes
Dificuldade de concentração, irritabilidade, fadiga e inquietação são fatores apresentados por pessoas que sofrem de angústia intensa e ansiedade em excesso. Esses sintomas causam desconforto e afetam a qualidade de vida.
Pensamentos obsessivos
Consistem na incapacidade de ter controle sobre imagens e pensamentos recorrentes e angustiantes.
O pensamento obsessivo também pode estar relacionado ao Transtorno de Ansiedade Generalizada (TAG), Transtornos do Humor, Transtorno Obsessivo Compulsivo (TOC), Transtorno de Pânico, entre outras condições.
Medos irracionais
Medo de perder algo, de não ser bom o suficiente, medo do fracasso, pânico em ficar só ou de não ser aceito pelos outros, também são sensações que costumam perseguir pessoas ansiosas.
Problemas digestivos
A ansiedade e o estresse em excesso podem afetar o sistema gastrointestinal, causando má digestão, dores, diarreia, mal estar e azia.
Essas funções são alteradas pelo sistema nervoso e como resultado, gastrites, doenças inflamatórias e úlceras podem ser ocasionadas.
Sintomas físicos
Além da tensão muscular, alguns sintomas físicos podem aparecer nos momentos de ansiedade:
- Cansaço;
- Tremores;
- Sensação de falta de ar ou asfixia;
- Coração acelerado;
- Suor excessivo e/ou mãos frias e suadas;
- Náuseas;
- Diarreia;
- Micção frequente;
- Desconforto abdominal;
- Ondas de calor;
- Boca seca, tontura, calafrios;
- Sensação de engasgo e dificuldade para engolir.
Perfeccionismo
A insistência em alcançar altos padrões caracteriza o perfeccionismo excessivo que pode gerar insatisfação e infelicidade, fazendo com que os indivíduos sofram de ansiedade por não atingirem o objeto de desejo: a perfeição.
Quando buscar ajuda imediata
Além dos sintomas descritos, alguns sinais exigem atenção profissional mais urgente, como crises frequentes de pânico, dificuldade contínua para realizar tarefas simples, isolamento social crescente, pensamentos autodestrutivos ou sensação constante de perda de controle.
Esses quadros podem indicar um agravamento do transtorno de ansiedade e devem ser avaliados por um profissional habilitado.
Impacto da ansiedade na saúde física
Além dos sintomas imediatos, a ansiedade crônica pode afetar a saúde física a longo prazo.
A exposição constante ao estresse pode elevar os níveis de cortisol, um hormônio que, em excesso, contribui para problemas como aumento da pressão arterial, enfraquecimento do sistema imunológico, problemas digestivos e até mesmo doenças cardiovasculares.
O impacto negativo contínuo da ansiedade pode, portanto, reduzir significativamente a qualidade de vida e aumentar o risco de desenvolver doenças crônicas.
Fatores de risco e fatores de proteção para a ansiedade
Alguns fatores aumentam a chance de desenvolver transtornos de ansiedade, como histórico familiar, estresse crônico, experiências traumáticas, ambiente de alta pressão, sedentarismo e sono irregular.
Por outro lado, fatores de proteção, como boas relações afetivas, rotina equilibrada, atividade física regular, autocuidado e suporte psicoterapêutico, reduzem o impacto do estresse e fortalecem a saúde emocional. Identificar esses elementos ajuda na prevenção e no tratamento.
Como controlar os sintomas de ansiedade
Ter o controle da ansiedade representa um desafio, mas saiba que existem estratégias, recursos e também mudanças a serem adotadas no dia a dia que vão contribuir significativamente. Veja a seguir:
Sessões de Psicoterapia
A psicoterapia pode ajudar muito as pessoas que sofrem do transtorno de ansiedade, por ser um processo de tratamento colaborativo onde a relação entre o indivíduo e o psicólogo é baseado em diálogo.
Trata-se de um ambiente de apoio, onde é possível falar abertamente com alguém sem julgamentos, com neutralidade e objetivo.
Desse modo, paciente e psicólogo irão trabalhar juntos para identificar os padrões de comportamento e pensamento que o impede de se sentir melhor, promovendo mudanças para aumentar a resiliência e o autoconhecimento.
A Terapia Cognitivo-Comportamental (TCC) é considerada uma das abordagens mais eficazes para o tratamento da ansiedade, pois trabalha a relação entre pensamentos, emoções e comportamentos. Ela ensina técnicas práticas, como reestruturação de pensamentos automáticos, identificação de padrões disfuncionais e exercícios de exposição gradual, que ajudam a reduzir sintomas no curto e no longo prazo.
O papel do psiquiatra no tratamento da ansiedade
Em alguns casos, além da psicoterapia, o acompanhamento com um psiquiatra pode ser recomendado. Esse profissional pode avaliar a necessidade de medicação para reduzir sintomas intensos, regular o humor e possibilitar que a pessoa participe melhor do processo terapêutico.
O uso de medicamentos é sempre individualizado, temporário em grande parte dos casos e baseado em evidências científicas.
Praticar atividade física
É essencial ter um tempo para praticar atividades físicas que sejam prazerosas, quer seja uma caminhada ou corrida.
Além de fortalecer o sistema imunológico, a prática de atividades também previne doenças e aumenta o bem-estar, assim como a produtividade no trabalho e a disposição no dia a dia.
Também melhora a saúde mental, reduz a insônia e previne a depressão. Desta forma, ao praticar atividades físicas frequentemente é possível regular o sono devido à liberação de endorfina e também aumentar o bem-estar e, como resultado, tem-se a diminuição do estresse e ansiedade.
Praticar meditação
A meditação é uma prática eficiente para reduzir o estresse e fortalecer o sistema imunológico. De acordo com neurocientistas, a prática da meditação é capaz de aumentar a região do córtex pré-frontal esquerdo, área responsável pelo sentimento de felicidade.
Ouvir música
A música é, sem dúvida alguma, um elemento terapêutico, pois ajuda a relaxar, expressar, extravasar, celebrar, dançar, interiorizar e até mesmo descansar.
Ou seja, ouvir música é medicinal e não tem contraindicações, portanto, aproveite-a.
Manter uma alimentação saudável
A alimentação equilibrada é essencial para manter o cérebro saudável e a se defender da ansiedade, estresse, depressão e até mesmo de outros transtornos de humor.
Isso ocorre porque o cérebro precisa de vitaminas para o seu adequado funcionamento. Algumas vitaminas são fundamentais para a constituição de neurotransmissores que estimulam o bom humor, outras oferecem energia e protegem as células de danos.
Passar por momentos de ansiedade e estresse é normal, mas caso sejam de grande intensidade ou muita frequência, pode haver a necessidade de buscar ajuda em profissionais especializados.
Importância do apoio social e comunitário
Além da psicoterapia, a participação em grupos de apoio pode ser extremamente benéfica.
Muitas pessoas com transtornos de ansiedade se sentem isoladas em suas experiências, mas compartilhar desafios com outras pessoas que compreendem a situação pode proporcionar um alívio significativo.
Esses grupos podem ser presenciais ou virtuais, e oferecem um espaço seguro para troca de experiências e estratégias de enfrentamento, promovendo apoio emocional e encorajamento.
Tecnologias no tratamento da ansiedade
A tecnologia também oferece recursos para o controle da ansiedade. Aplicativos de meditação, como Headspace e Calm, oferecem práticas guiadas que ajudam a reduzir os níveis de estresse e promovem o relaxamento.
Tecnologias de biofeedback, que monitoram e ajudam a controlar as funções corporais como respiração e frequência cardíaca, também têm sido usadas para ajudar as pessoas a lidarem com sintomas de ansiedade, tornando-se ferramentas valiosas para aqueles que buscam alternativas no tratamento.
Lidar com a ansiedade é uma experiência pessoal e única. Cada pessoa percebe seus sintomas de uma forma, e o que funciona para um pode não funcionar da mesma maneira para outro. O mais importante é reconhecer que a ansiedade tem tratamento e que pedir ajuda não é sinal de fraqueza, é um passo consciente em direção ao bem-estar.
Perguntas rápidas sobre ansiedade
1. Ansiedade passa sozinha?
Em alguns casos, sim, mas quando os sintomas são persistentes, o tratamento acelera a recuperação e evita pioras.
2. Qual a diferença entre ansiedade e ataque de pânico?
Ataques de pânico são episódios intensos e abruptos, enquanto a ansiedade costuma ser uma preocupação contínua.
3. Alimentação influencia a ansiedade?
Sim. Deficiência de vitaminas, consumo excessivo de cafeína e alimentação irregular podem piorar sintomas.
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*Conteúdo publicado em dezembro de 2020 e atualizado em janeiro de 2026.

