A chegada de um bebê é um momento de grande alegria e expectativa na vida de uma mulher.
No entanto, nem todas as mães experimentam apenas sentimentos de felicidade após o parto. Para algumas mulheres esse período pode ser marcado por uma ansiedade intensa, conhecida como ansiedade pós-parto.
Noites de sono perdidas, a preocupação com o pequeno ser que depende inteiramente da mãe nos primeiros meses de vida, o cansaço e a sensação de solidão, e de que não é compreendida por ninguém. Essas são as principais queixas de mães que padecem de ansiedade pós-parto, um transtorno que atrapalha a vida de muitas mulheres, num dos momentos mais mágicos e transformadores de suas vidas.
Embora ainda não se tenha uma dimensão muito exata da quantidade de mulheres que padecem desse mal, os dados estimados apontam para índices entre 4,4% e 18% das puérperas, que relatam desde a presença de pensamentos pessimistas até sintomas físicos que prejudicam drasticamente suas rotinas.
Existe diferença entre ansiedade pós-parto e depressão pós-parto
Antes de falarmos especificamente sobre a ansiedade pós-parto, é importante distinguir entre ansiedade e depressão pós-parto.
Embora ambos sejam transtornos de saúde mental que podem ocorrer após o parto, eles têm características e sintomas diferentes.
A depressão pós-parto é um dos transtornos mentais com maior incidência, cujas características principais incluem sentimentos de tristeza persistente, desesperança total e falta de interesse até mesmo pelas atividades cotidianas.
Já a ansiedade pós-parto é marcada por uma preocupação excessiva e constante em relação ao bem-estar do bebê, além de uma sensação de insegurança e medo.
É importante ressaltar que esses dois transtornos podem ocorrer ao mesmo tempo em algumas mulheres, e que, segundo estudo, cerca de 35% das pacientes que sofrem de ansiedade pós-parto acabam por evoluir esse quadro para uma depressão.
Leia também Diferença entre ansiedade e depressão.
Ansiedade pós-parto: um sinal de alerta
A ansiedade pós-parto é uma forma de transtorno de ansiedade que ocorre após o nascimento de um bebê e em decorrência das responsabilidades advindas dessa mudança na vida e na rotina das mães.
É normal que as mães se sintam ansiosas ou preocupadas em relação ao seu bebê, especialmente nos primeiros dias e semanas após o nascimento.
No entanto, quando essa ansiedade se torna persistente, intensa e interfere na capacidade da mãe de realizar suas atividades, pode ser um sinal de alerta e indicar a necessidade de intervenção.
Causas
As causas exatas não são completamente compreendidas, mas acredita-se que uma combinação de fatores biológicos, hormonais, psicológicos e sociais pode desempenhar um papel no seu desenvolvimento.
Alterações hormonais após o parto, como a queda nos níveis de estrogênio e progesterona, mesmo os problemas ou motivos de estresse antes do parto podem influenciar e provocar sintomas de ansiedade.
Além disso, a privação de sono, as mudanças físicas e emocionais, além das demandas de cuidados com o bebê e as pressões sociais e/ ou culturais também podem contribuir para o desenvolvimento do transtorno.
Fatores de risco
Alguns fatores podem aumentar o risco de desenvolver ansiedade pós-parto, incluindo:
- Histórico de transtornos de ansiedade ou depressão prévia;
- Histórico de aborto espontâneo ou de múltiplos partos;
- Histórico familiar de transtornos psíquicos;
- Falta de suporte social ou rede de apoio familiar;
- Estresse relacionado ao cuidado do bebê;
- Dificuldades financeiras por conta das novas despesas;
- Complicações no parto ou na saúde do bebê;
- Fim da amamentação antecipado ao natural.
Vale lembrar que quanto mais fatores de risco juntos, maior a predisposição a desenvolver o quadro e, consequentemente, mais urgente a busca por ajuda especializada.
Sintomas da ansiedade pós-parto
Os sintomas podem variar de uma mulher para outra, mas segundo o DSM-5 (Manual Diagnóstico e Estatístico de Transtornos Mentais) geralmente incluem:
1. Preocupação excessiva com o bem-estar do bebê
A mãe pode se preocupar constantemente com a saúde e segurança do seu filho, mesmo que não haja evidências concretas para justificar essa preocupação.
2. Sensação de insegurança e medo
A mãe pode sentir-se constantemente insegura em relação às suas habilidades como mãe e temer que algo ruim aconteça ao bebê.
3. Irritabilidade e nervosismo
A ansiedade pós-parto pode levar a um aumento na irritabilidade e na sensação de estar constantemente à beira de um colapso emocional.
4. Dificuldade em relaxar e descansar
A ansiedade pode tornar difícil para a mãe relaxar e descansar, mesmo quando o bebê está dormindo.
5. Problemas de sono
A ansiedade pode interferir no sono da mãe, levando a dificuldades em adormecer, insônia ou despertares frequentes durante a noite.
6. Sintomas físicos
A ansiedade pós-parto também pode se manifestar através de sintomas físicos, como dores de cabeça, tensão muscular, náuseas, palpitações cardíacas e até ataques de pânico.
Ao perceber os sintomas, busque ajuda profissional
É importante destacar que nem todas as mães experimentam todos esses sintomas e que a gravidade dos sintomas pode variar.
Contudo, quando houver manifestação de algum sintoma como esse, será fundamental buscar ajuda médica e apoio profissional para obter o diagnóstico e o tratamento qualificado.
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Diagnóstico da ansiedade pós-parto
O diagnóstico deve ser realizado por profissionais de saúde mental, como psicólogos ou psiquiatras, que avaliam criteriosamente os sintomas da mãe, bem como sua intensidade.
É importante lembrar que, como nem todas as mulheres experimentam ansiedade pós-parto da mesma forma, algumas podem apresentar sintomas mais graves do que outras.
Para obter um diagnóstico mais preciso de transtornos mentais como a depressão pós-parto, os profissionais de saúde mental utilizam critérios pelo DSM-5, que é uma referência internacional para classificação de transtornos mentais.
Com base nisso, conseguem avaliar a presença e a intensidade dos sintomas, além da duração e do impacto que estes têm na vida da mãe.
O problema é que, diferentemente da depressão, não há classificação similar nessa tabela de referência que mencione a ansiedade pós-parto, o que acaba categorizando esse transtorno como um TAG – Transtorno de Ansiedade Generalizada – para o qual seria necessário um histórico prévio de cerca de seis meses de sintomas, o que é um tempo muito longo para o tratamento de uma puérpera, e pode implicar em uma piora significativa no quadro inicial, que deveria ter sido tratado já no primeiro mês.
Dessa forma, o melhor a ser feito é, ao perceber os sintomas, buscar a ajuda de um psicoterapeuta, que pode avaliar diretamente a situação e os impactos que a ansiedade já causa na vida da paciente em questão, permitindo agilizar o tratamento e evitando que a condição passe despercebida ou subdiagnosticada.
Tratamento da ansiedade pós-parto
O tratamento pode envolver uma abordagem multidisciplinar, combinando psicoterapia, suporte social e, em alguns casos, medicação.
O objetivo do tratamento é ajudar a mãe a lidar com a ansiedade, reduzir os sintomas e melhorar sua qualidade de vida.
Psicoterapia
A psicoterapia desempenha um papel fundamental no tratamento. Existem diferentes abordagens terapêuticas que podem ser utilizadas, como a Terapia Cognitivo-Comportamental (TCC) e a terapia de apoio.
A TCC trabalha com reestruturação cognitiva para ajudar a identificar e modificar padrões de pensamentos negativos e distorcidos, além de desenvolver estratégias para lidar com a ansiedade como mindfulness.
Já a vantagem da terapia de apoio está em oferecer um espaço seguro para a mãe expressar seus sentimentos e preocupações, recebendo suporte emocional durante esse período desafiador.
Medicação
Em alguns casos mais graves, o uso de medicação pode ser recomendado para tratar a ansiedade pós-parto.
Antidepressivos e ansiolíticos não costumam ser usados como primeira opção, mas podem ser prescritos para ajudar a controlar os sintomas.
Apesar disso, é importante que a decisão de usar medicação seja tomada em conjunto com um profissional de saúde, levando em consideração os potenciais benefícios e riscos, em especial à saúde do bebê, pois é imprescindível tomar os devidos cuidados para que a medicação que a mãe tomará não afete o bebê através da amamentação.
Por isso, mais comumente esses medicamentos incluem ISRS, que visam inibir a recaptação da serotonina, ou ISRSN (que inibem também a noradrenalina), além de buspirona e outros antidepressivos tricíclicos.
Outras medidas para lidar com a situação
Conviver com a ansiedade pós-parto pode ser desafiador, mas existem maneiras de lidar com essa condição.
Alguns cuidados que ajudam nesse processo podem incluir:
1. Buscar apoio emocional
Converse com pessoas próximas, participe de grupos de apoio a mães ou procure aconselhamento profissional.
2. Cuidar de si mesma
Reserve um tempo para relaxar, descansar e praticar atividades que lhe dão prazer.
3. Estabelecer uma rotina
Criar uma rotina para o bebê e para si mesma pode trazer uma sensação de controle e estabilidade.
4. Pedir ajuda
Não hesite em pedir ajuda a familiares e amigos para cuidarem do bebê ou ajudarem nas tarefas domésticas.
5. Alimentação saudável e exercícios
Manter uma alimentação equilibrada e praticar atividades físicas leves, como caminhadas, pode contribuir para o bem-estar mental.
A ansiedade pós-parto é uma condição real e pode afetar significativamente a vida das mães após o nascimento de um bebê.
É fundamental que as mulheres sejam encorajadas a buscar ajuda e apoio caso estejam com os sintomas. Com o suporte adequado, é possível superar essa condição e desfrutar plenamente da maternidade.
Clínica Marcelo Parazzi
Se você ou algum familiar tem sofrido com depressão pós-parto, a nossa clínica pode ajudar.
Além de se fundamentar na Terapia Cognitivo-Comportamental (TCC) e oferecer todo o tratamento tradicional por meio de psiquiatras, psicólogos e psicanalistas para tratar ansiedade, depressão e outros transtornos, a Clínica Marcelo Parazzi também dispõe de Terapia Holística, que desenvolve estratégias terapêuticas como Reiki, Yoga, Meditação, Constelação Familiar e Mindfulness (Consciência plena), para auxiliar no alcance de melhores resultados nos tratamentos dos pacientes, que são, comprovadamente, grandes aliados na recuperação desses indivíduos.
Estamos à disposição para auxiliar com a Terapia à Distância, realizando atendimento inclusive para pessoas que residem fora do país.

