Terapia Cognitivo-Comportamental e dependências digitais: como a abordagem pode ajudar

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Terapia Cognitivo-Comportamental e dependências digitais: como a abordagem pode ajudar

É inegável que a internet surgiu para revolucionar o mundo. Contudo, o que surgiu inicialmente para melhorar o mundo ao nosso redor, também trouxe consigo um dos maiores problemas da atualidade: a dependência da internet.

De repente, o indivíduo perde a noção de quantas horas passou online. Depois não consegue mais concentrar em outras tarefas, e começa a se isolar da família e dos amigos, passando a preferir os relacionamentos interpessoais via rede de computadores, ou a conhecer e ter contato exclusivamente com pessoas no meio digital. 

Segundo a Organização Mundial da Saúde (OMS), o uso excessivo de dispositivos eletrônicos está diretamente associado ao aumento de casos de ansiedade, depressão e distúrbios do sono, especialmente entre adolescentes e jovens adultos. 

No Brasil, a dificuldade em se desconectar é um problema crescente, com estudos do Centro de Estudos em Psicologia e Saúde da USP e outras instituições apontando para impactos negativos na saúde mental.

Veja também como a hiperconectividade pode aumentar quadros de ansiedade.

Terapia Cognitivo-Comportamental e dependências digitais

Assim como qualquer outro vício, a dependência digital precisa ser tratada devidamente e a tempo.

Embora haja muitas formas de abordagem e tratamentos para transtornos como esse, atualmente a mais recomendada – e que demonstra resultados mais visíveis e contundentes – é a TCC, ou Terapia Cognitivo-Comportamental.

A relação Terapia Cognitivo-Comportamental e dependências digitais pode ser utilizada tanto com adolescentes (público com maior e mais grave incidência do transtorno) quanto com adultos.

Objetivo da Terapia Cognitivo-Comportamental nas dependências digitais

O objetivo da TCC, como o próprio nome indica, é a ressignificação dos comportamentos compulsivos relacionados ao uso da internet.

A aplicação da TCC em dependências digitais já foi validada por diversos estudos. Um deles, publicado no Journal of Behavioral Addictions, em 2017, demonstrou que a intervenção cognitivo-comportamental reduziu em até 64% os sintomas de dependência em jovens após 12 semanas de tratamento, com melhoria significativa na autoestima e nas habilidades de enfrentamento.

A ideia é a de que todo pensamento gera determinado comportamento, quase que automaticamente, e todos esses hábitos são geridos por uma crença central.

Uma vez identificada, essa crença será trabalhada e modificada, o que terá consequências no modo de pensar e, por sucessão, afetará os comportamentos, possibilitando a ressignificação do hábito inicial (vício), direcionando o foco à criação de hábitos novos e mais saudáveis.

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TCC e o reconhecimento das qualidades do indivíduo

Não ter coragem de conversar pessoalmente representa perfeitamente a realidade cotidiana de um dependente digital. Aliás, ocorrem perdas significativas relacionadas à autoestima e à capacidade de estabelecer vínculos e contatos sociais.

Por essa razão, o principal comportamento problemático de quem sofre desse transtorno é precisamente a queda de produtividade em atividades do dia a dia, devido à dificuldade em se desconectar, o que faz com que a pessoa acabe acreditando que só é capaz de contato com outras pessoas por meios digitais, e que pessoalmente ela seria alguém completamente desinteressante, de quem ninguém gostaria.

Pensamentos como esse demonstram a crença central de desvalor (falta de valor), que pode ser modificada por meio de estratégias como a identificação de qualidades da pessoa envolvida, bem como treiná-la para saber reconhecer por si mesma essas qualidades, além de promover a aproximação de pessoas do mundo real, desplugadas e desvinculadas do mundo digital.

Aproximações sucessivas

Mas, obviamente, nada disso é feito de uma hora para outra. Na relação Terapia Cognitivo-Comportamental e dependências digitais, a técnica aborda a aproximação de maneira sucessiva, treinando o comportamento inicialmente em ambientes controlados como o consultório, por exemplo, durante uma das sessões de terapia, e só depois de algum progresso levando o paciente de volta à própria vida “real”.

TCC e o cuidado para não transformar um vício em outro

Nosso cérebro constrói hábitos naturalmente, por diferentes razões específicas. Um vício, de certa forma, é um caminho que o indivíduo encontra para sanar uma necessidade dentro de si, que pode ser que nem mesmo ele compreenda totalmente.

É importante lembrar que a dependência digital não está associada apenas ao tempo de uso, mas à relação emocional que o indivíduo desenvolve com a tecnologia. Pacientes que sofrem desse transtorno costumam apresentar comportamentos de abstinência, como irritação, angústia e descontrole quando privados do acesso à internet, um quadro similar ao observado em outros tipos de vício, como o consumo de substâncias.

Assim, ao simplesmente cortar o comportamento que caracteriza o vício ou ato compulsivo, automaticamente se estará tirando do indivíduo algo ainda maior, e que lhe dava a sensação de saciedade, ainda que momentânea.

Nesse caso, a tendência será muito maior de que a pessoa procure substituir um vício por outro, a fim de compensar a impossibilidade de agir conforme aquilo a que estava habituada.

Por exemplo: ao ser impedido de usar o celular ou o computador, o adicto digital pode substituir o vício em internet pelo consumo de cigarro, álcool, outras drogas ou comportamentos igualmente viciantes, como jogos, sexo e até mesmo o trabalho.

Não se trata de proibir, e sim de encarar o problema da forma correta, com a devida seriedade que somente a terapia adequada pode promover.

Auxílio da atividade física e da rede de apoio presencial

Quando falamos da relação Terapia Cognitivo-Comportamental e dependências digitais, além da TCC, nós da Clínica Marcelo Parazzi recomendamos que se priorize a prática de atividades físicas, o contato presencial com amigos, ir ao cinema ou quaisquer outras atividades ao ar livre, que possibilitam ampliar as interações com outras pessoas e ambientes fora do contexto digital.

É igualmente imprescindível o contato pessoal no contexto familiar, além da presença dos amigos e da conscientização de que o ser humano é infinitamente valioso, e que isso não depende da avaliação ou aprovação alheia de quem quer que seja, estejam essas pessoas no mundo digital ou real.

Dúvidas frequentes na clínica sobre Terapia Cognitivo-Comportamental e dependências digitais

1. Como saber se tenho dependência digital?

Se você sente dificuldade de ficar offline, negligencia tarefas importantes ou relacionamentos por causa da internet e sofre ansiedade ao se desconectar, pode ser sinal de dependência.

2. A TCC realmente funciona para vícios digitais?

Sim. A Terapia Cognitivo-Comportamental é uma das abordagens mais eficazes, por trabalhar as raízes do comportamento e promover mudanças reais.

3. Posso fazer TCC mesmo morando fora do Brasil?

Sim! A Clínica Marcelo Parazzi oferece sessões de terapia online com o mesmo padrão de qualidade dos atendimentos presenciais.

4. Crianças e adolescentes também podem fazer TCC?

Sim. A TCC pode ser adaptada à faixa etária e é especialmente eficaz com jovens, público mais afetado pela dependência digital.

Quer conversar sobre o assunto? Agende uma consulta!

Clínica Marcelo Parazzi

Se você ou algum familiar tem sofrido com dependência digital, nossa clínica pode ajudar.

Nossa abordagem combina Terapia Cognitivo-Comportamental (TCC), por meio de tratamentos tradicionais com psicólogos e terapias complementares que comprovadamente auxiliam nos resultados do tratamento.

Oferecemos Terapia à Distância para pessoas que residem fora do país ou que preferem realizar as sessões em casa. Agende sua avaliação e dê o primeiro passo para a recuperação.

*Conteúdo publicado em abril de 2022 e atualizado em outubro de 2025.

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