Assim como a dependência de outras substâncias químicas, o cigarro traz consigo também uma dependência ainda mais difícil de dominar: a psicológica.
Sob pretextos do tipo “é só um trago”, “não estou fazendo mal a ninguém” ou ainda “eu posso parar quando quiser”, os tabagistas se iludem e alimentam ainda mais a dependência psicológica do cigarro, que é tão perigosa – se não mais – que a própria dependência química.
Toda essa “magia” em torno do cigarro, que poetiza as sensações, o cheiro, o gosto etc, tem por objetivo principal mascarar os efeitos danosos que o tabagismo desencadeia.
Tabagismo
A propósito, a definição de tabagismo, segundo o INCA (Instituto Nacional de Câncer), é precisamente “uma doença crônica causada pela dependência à nicotina presente nos produtos à base de tabaco”, sendo um dos principais causadores de câncer e mortes precoces e evitáveis ao redor do mundo.
No entanto, é imprescindível compreender que a dependência de psicoativos como o tabaco ou nicotina não prejudica somente quem faz uso de cigarros ou derivados.
Há casos em que o fumo passivo ou mesmo a simples convivência com o fumante – ainda que ele não fume dentro do ambiente de convívio social – se tornam um fardo bastante grande.
Dependência química
A dependência ocorre por conta da ação da nicotina no sistema nervoso central. Ao ser inalada, ela instiga o organismo a produzir uma sensação de prazer que, por durar pouco, gera uma necessidade constante de sentir-se novamente assim.
Em pouco tempo, o uso recorrente dessa substância faz com que seja necessário o consumo de uma dose cada vez maior para se obter os mesmos efeitos, e assim fica caracterizada a dependência química. Entenda os motivadores e causas da dependência química.
Dependência psicológica do cigarro
O fato é que, além da ação química, é preciso levar em conta os efeitos psicológicos dessa dependência.
A ansiedade, a necessidade recorrente de fumar, as sensações que o ato de fumar causa… tudo isso aliado a um histórico de simbologia, no qual fumar era algo belo, tido como um sinal de poder, só dificultam as ações de combate a esse vício mortal.
Segundo dados de pesquisas recentes, o tabagismo no Brasil vinha diminuindo gradativamente nos últimos anos, porém, com o isolamento social imposto pela pandemia de Covid-19, esses números voltaram a subir – e a preocupar. Confira Tabagismo na pandemia: o isolamento social aumentou o consumo de cigarro.
Nesse sentido, a dependência psicológica do cigarro é um fator extremamente alarmante, pois ainda há diversos mitos em torno das sensações de alívio e prazer que o cigarro falsamente oferece, sensações essas que as pessoas passaram a buscar incessantemente quando se viram confinadas em suas casas.
Antes de mais nada, é imprescindível deixar claro que, embora o tabagismo seja extremamente prejudicial, existe tratamento.
Gatilhos que reforçam a dependência psicológica do cigarro
Além da ação química da nicotina, diversos fatores psicológicos e comportamentais reforçam a necessidade de fumar.
Situações como estresse no trabalho, momentos de lazer, consumo de álcool e até o simples ato de tomar café podem se tornar gatilhos para o hábito do tabagismo. Muitas pessoas associam essas atividades ao prazer de fumar, o que reforça a dependência psicológica.
Identificar e evitar esses gatilhos é um passo essencial para quem deseja parar de fumar.
Sinais de dependência psicológica do cigarro
Enumeramos 5 indícios da dependência psicológica do cigarro. Confira!
1. Sensação de felicidade
Uma das frases mais comuns de quem já é dependente do cigarro é “O cigarro me faz feliz”. Obviamente, tão logo seja inalada, a nicotina atua no cérebro e produz essa sensação boa.
O problema maior é que ela passa muito mais rápido do que o fumante gostaria, o que acaba por desencadear uma necessidade de fumar mais e mais.
Por outro lado, apesar dos enormes danos causados à saúde, é igualmente impressionante o estrago que os efeitos de uma crise de abstinência pode acarretar.
Daí a importância de tratar tanto o aspecto químico quanto o psicológico da dependência, pois, a depender do grau em que se apresente, poucas horas sem o tabaco são o bastante para deixar o fumante em um estado quase incontrolável de estresse e irritabilidade.
2. Efeito calmante
Como já vimos, muitos fumantes relatam que o cigarro os acalma. E, por pior que pareça, essas pessoas não são mentirosas, pois um dos efeitos da nicotina no organismo é justamente o de acalmar, o que torna quase que uma “desculpa plausível” para manter o hábito de fumar.
Contudo, o detalhe a ser levado em consideração aqui não está na desculpa dada, tampouco no falso benefício que o tabagismo oferece, e sim no pouco tempo que essas boas sensações duram e no ciclo vicioso que ele gera, ao demandar um consumo de quantidades cada vez maiores desses psicoativos, o que leva a saúde do indivíduo a um colapso muito rapidamente.
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3. Alívio momentâneo
Segundo pesquisas recentes, essa sensação serve para mascarar outros problemas, muitas vezes de cunho emocional e comportamental.
Funciona como um tipo de automedicação no combate a pensamentos negativos ou até mesmo como um alívio momentâneo da depressão.
Isso mesmo. Momentâneo. Porque a interferência da nicotina nos sistemas neuroquímicos afeta circuitos neurais, entre eles os da regulação de humor, mas não dura tempo suficiente para que essas sensações se perpetuem.
Leia também Como evitar a depressão.
4. Combate à ansiedade
Mais uma na lista de “desculpas quase plausíveis”, esta é praticamente uma modinha. Cientificamente, se pode comprovar a sensação imediata de relaxamento que a nicotina produz.
Porém, da mesma forma, também já é conhecido o fato de que, logo em seguida, esse relaxamento é substituído pela abstinência.
A utilização de psicoativos não reduz a ansiedade em si, pois não trata das causas reais, apenas dos sintomas momentâneos.
E é precisamente essa a razão da idealização do fumo por esse público: pessoas que sofrem de transtornos de ansiedade buscam constantemente por qualquer meio que faça com que se sintam mais calmas, o que leva essas pessoas à falsa conclusão de que o cigarro evita as crises, quando, na verdade, apenas está agravando o quadro de ansiedade.
5. Redução do estresse
Outra ilusão. O estresse diminui por conta da satisfação do desejo da nicotina, gerada pela própria dependência.
E como já se sabe, essa satisfação dura pouco e os níveis de estresse retornam, muitas vezes ainda maiores.
Impactos na saúde mental a longo prazo
O uso contínuo do cigarro não apenas aumenta a dependência química, mas também compromete a saúde mental.
Estudos indicam que fumantes têm um risco maior de desenvolver transtornos de ansiedade, depressão e até sintomas cognitivos prejudiciais, como dificuldades de memória e concentração.
Isso ocorre porque a nicotina interfere no funcionamento dos neurotransmissores ligados ao bem-estar, criando uma falsa sensação de alívio imediato, mas agravando o quadro emocional com o tempo.
Ajuda profissional
As dependências química e psicológica do cigarro ainda afrontam milhões de pessoas mundo afora.
E sabemos que, inicialmente, pode até ser complicado renunciar a todas essas sensações aparentemente muito boas, mas, com força de vontade e a ajuda profissional devida, é possível vencer o vício.
O importante é conhecer os efeitos da nicotina no corpo, ter consciência dos danos à saúde e tomar a decisão de buscar ajuda, pois o tratamento existe e, se feito com orientação profissional adequada, é eficaz.
Métodos eficazes para abandonar o cigarro
Existem diferentes estratégias para parar de fumar, e cada pessoa pode responder melhor a um método específico. Algumas das abordagens mais eficazes incluem:
- Terapia Cognitivo-Comportamental (TCC): Ajuda a identificar padrões de pensamento que levam ao tabagismo e a desenvolver estratégias para evitá-lo.
- Reposição de nicotina: Adesivos, chicletes e pastilhas de nicotina podem reduzir os sintomas da abstinência.
- Medicamentos prescritos: Alguns fármacos auxiliam na redução da vontade de fumar.
- Grupos de apoio: Compartilhar experiências com outras pessoas que estão passando pelo mesmo processo pode ser motivador.
- Mudanças de hábitos: Exercícios físicos, técnicas de relaxamento e uma alimentação equilibrada podem ajudar a reduzir a ansiedade e controlar a vontade de fumar.
A Clínica Marcelo Parazzi
Você tem passado por isso ou conhece alguém que esteja enfrentando a dependência psicológica do cigarro, a Clínica Marcelo Parazzi pode ajudar.
Nossa abordagem combina Terapia Cognitivo-Comportamental (TCC), por meio de tratamentos tradicionais com psicólogos e terapias complementares que comprovadamente auxiliam nos resultados do tratamento.
Oferecemos Terapia à Distância para pessoas que residem fora do país ou que preferem realizar as sessões em casa. Agende sua avaliação e dê o primeiro passo para a recuperação.
*Conteúdo publicado em agosto de 2021 e atualizado em junho de 2025.

